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Artigos e Opinião • 08 de abril de 2017 • 21h33

Ainda vão proibir a bola no futebol

O futebol, esporte mais emocionante do mundo, e alucinante para nós, brasileiros, acaba sendo regulado por tecnocratas, que pouco ou nada compreendem o sentimento que move torcedores e jogadores.

Esses personagens que de fato realizam o espetáculo do futebol, jogadores e torcedores, não possuem voz ativa na elaboração dos regulamentos ou, quando participam, são figuras meramente decorativas às entidades que “organizam” os torneios.

Como consequência, uma das provas desse descompasso entre o futebol de verdade e o futebol que só existe no mundo da fantasia dos dirigentes e seus regulamentos, é que o “dibre”, de uns tempos para cá, passou a ser medido com réguas imaginárias. Agora, se a finta passar muito do ponto (de um ponto que ninguém sabe qual é o limite) já é considerada insulto. E dá-lhe punição!

As próximas medidas dos dirigentes, em sua concepção fantasiosa de regulamentos, contemplarão medidas como: jogador aplicou um chapéu, tome amarelo. Deu caneta, amarelo também. Aplicou um “dibre da vaca”, vermelho. Gol de bicicleta, vermelho, registro na súmula e julgamento no tribunal. Torcida gritou olé para-se a partida por 15 minutos. Se cantar “ai, ai, ai-aí, tá chegando hora…”, ferrou, o árbitro tem de encerrar a partida, sob risco de bullying contra o time adversário.

Assim, no ritmo dessa marcha com dirigentes, com regras contra a liberdade, chegará o tempo em que vão proibir a bola no futebol.

Afinal, já estamos vivendo um tempo em que marcar gol e comemorar está se tornando um violento atentado ao pudor, à moral, ao politicamente correto e aos bons costumes. E dá-lhe amarelo ou vermelho, excluindo do espetáculo o jogador que, paradoxalmente, acabou de valorizar justamente o espetáculo com seu feito, que é o maior momento do futebol, aquilo que dá sentido às pessoas saírem de suas casas e assistirem aos jogos.

Se o jogador marcar um gol e subir no alambrado para comemorar com a sua torcida. Pelamordideus! É fogueira na certa. O tribunal inquisitorial arma-se ali mesmo no gramado.

Do outro lado do alambrado, o torcedor também está enjaulado nos regulamentos. Se quiser manifestar seu amor ao clube não poderá entrar no estádio com bandeiras, bumbos, pandeiros, repiniques, faixas. Só pode pagar ingresso caro e aceitar, passivamente, senão o cassetete come no lombo, a cuíca ronca.

Para xingar o árbitro ou bandeirinha (recuso-me a chamar de auxiliar), o torcedor, só poderá fazê-lo de acordo com os termos pré-estabelecidos nos regulamentos, tais como: bobo, chato, feio, e outros termos que nada tem a ver com realidade de quem cresceu jogando bola na rua.

É, meus amigos, se continuarem com essas restrições, o que será do bom e velho futebol em relação ao futebol moderno, que agora tentam implantar, forçadamente, mas que está afastando o público dos estádios brasileiros e, desta forma, criando, cada vez mais, torcedores de sofá?

Ricardo Flaitt - é jornalista e escritor. O futebol tabelou com sua vida quando chegaram as primeiras imagens do pai torcendo e sofrendo por um clube. O que era incompreensível nos primeiros anos, com o passar do tempo, compreendeu que o futebol era muito mais complexo que um simples correr atrás bola. Mas, quando assistiu ao primeiro vídeo de Garrincha, então, reavaliou todos os seus conceitos sobre o futebol, e a vida. Deparou-se com o imprevisível. Segue na busca de um ponto de partida, no sentido de compreender o futebol a partir do preceito de Nelson Rodrigues de que “em futebol, o pior cego é o que só vê a bola” - flaitt.ricardo@gmail.com   -  @ricardo_flaitt



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