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Artigos e Opinião • 18 de abril de 2017 • 07h54

Crônica: Citado na Lava-jato

O assessor adentra esbaforido na sala do deputado e o interrompe enquanto assistia um desenho do Bob Esponja.

- Deputado! Deputado! Acabo de ouvir que o senhor foi citado na Lava-jato!

O deputado na sua gordura oleosa se levanta com dificuldades de uma poltrona massageadora.

- Tem Certeza! Onde ouviu essa desgraça?

- Lá na Câmara durante o café dos funcionários. Um chegado do presidente da Câmara afirmou que o nome do senhor está ligado a Lava-jato.

- Mas não é possível! Fizemos tudo direitinho, escondemos todas as provas das propinas, compramos o silêncio dos envolvidos nas transações e mesmo assim descobriram?

- Pois é deputado a casa está caindo para um monte de gente que também foram citados.

- Vou dar uns telefonemas enquanto você procure saber mais sobre o caso.

O assessor sai da sala enquanto o deputado liga para a esposa:

- Faça as malas e pegue as crianças, vamos viajar para a Europa.

Mais tarde o assessor retorna ao gabinete ainda mais esbaforido.

- Deputado! Deputado! Os boatos se confirmaram. Realmente o senhor foi citado na lista da Lava-jato. Ouvi dizer inclusive que o japonês já está se preparando para vir atrás do senhor!

- Minha nossa! Como descobriram tudo tão rápido!

- É melhor o senhor sair logo do país!

- Eu sei. Prepare meu carro e meu passaporte.

O assessor sai correndo para providenciar os documentos.

Foram duas semanas na Suíça e Ilhas Cayman que o deputado passou para se livrar de suas contas secretas. Uma grande parte do dinheiro que desviou de obras públicas por intermédio de empreiteiras acabou doando às instituições de caridade para que não aparecessem resquícios de forma alguma.

- Prefiro perder todo meu dinheiro do que mofar na cadeia! - Dizia o deputado quando já estava de volta em seu gabinete e o japonês da Lava-jato adentrou com o ar sério.

- Espera aí! Mas você não é o japonês da Polícia Federal! – Bradou o deputado.

- Não. Sou o japonês do Lava-jato Tanaka. Vim aqui coblar os oitenta leais que o senhor ficou devendo por uma lavagem completa.

- Mas disseram que fui citado na Lava-jato!

- É veldade. Coloquei uma placa com os nomes dos maus pagadoles no meu Lava-jato e citei o nome do senhor! Seu caloteilo! Paga eu!

Rodrigo Alves de Carvalho nasceu em Jacutinga (MG). Jornalista, escritor e poeta possui diversos prêmios literários em vários estados e participação em importantes coletâneas de poesia, contos e crônicas. Colabora também como cronista em jornais, revistas e sites literários.



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