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A revelação da operação policial desencadeada pelo Deic (Departamento Estadual de Investigação Criminal), da Policia Civil de São Paulo, sobre a atuação do crime organizado numa das empresas de que operam na capital paulista, representa a abertura de uma imensa caixa preta. A partir da apuração do assassinato do presidente da transportadora, em 2020, os policiais descobriram que parte da frota de 521 veículos pertence à facção que atua no sistema prisional e no tráfico de drogas. Aponta que a morte do executivo teria ocorrido porque ele deixou de repassar a parte combinada do faturamento. A teia envolve o vereador Senival Moura, do PT  e presidente da Comiss ão de Transportes da Câmara Municipal e lança questionamentos sobre a fiscalização da Prefeitura de São Paulo aos contratos que mantém com as empresas de ônibus, um serviço de utilidade pública e sustentado parcialmente por subsídios pagos elo erário municipal.

Louve-se a atuação da Polícia Civil que identificou a participação do crime organizado no sistema. Na medida em que consegue oferecer à Justiça as provas de supostos ilícitos cometidos, a instituição está solucionando uma grave distorção que coloca em risco tanto a prestação do serviço quanto seus operadores e até a clientela. O envolvimento de estruturas criminosas com serviços públicos é um velho problema que ao longo das décadas envolveu as diferentes máfias em inúmeros países, provocaram delitos em paralelo e mobilizaram as autoridades policiais, administrativas e judic iárias. A comunidade paulistana espera que o vereador citado tenha as devidas justificativas e os responsáveis pela fiscalização dos contratos da administração pública com as empresas sejam capazes de se explicar, especialmente quanto à existência do poder paralelo dentro de uma empresa contratada para operar 49 linhas de transporte coletivo numa nevrálgica região da capital.

O crime organizado ampliou-se muito no Brasil em função da demagogia de governantes e políticos interessados exclusivamente em obter votos que, sob o argumento de vivermos numa democracia, impediram as forças policiais de cumprir sua missão e concorreram para a desestabilização dos fundamentos de segurança pública. As facções surgiram no sistema prisional como forma de defesa dos encarcerados frente às más condições em que eram obrigados a viver em presídios superlotados e sem serviços básicos. Com o tempo, assumiram o tráfico de drogas e armas e até serviços nas periferias. Atuam informalmente mas dão as ordens, sub jugando as comunidades. E farão isso seguidamente até que o poder público e as autoridades constituídas finalmente assumam seu papel, o que está ocorrendo em São Paulo.

A Polícia Civil paulista tem atuado com competência. Sua ação firme e especializada  desencoraja sequestros, roubos de cargas, o novo cangaço (explosão de bancos e transportadoras de valores por quadrilhas fortemente armadas) e outros ilícitos planejados e de difícil prevenção. O competente trabalho de inteligência, investigação e identificação dos criminosos e seu modus operandi os impede de agir. Os criminosos de maior potencial ofensivo estão relacionados, muitos deles presos, outros processados e os suspeitos catalogados conforme sua “especialidade”. Embora seja difícil evitar o crime planejado, criou-se a certeza de que seus executores não ficarão impunes. Isso os tem levado a atuar em outros Estados, onde a possibilidade de reação é menor.

Todos precisam compreender que as polícias – tanto a Civil quanto a Militar – têm funções específicas definidas em lei. Desse trabalho resulta a segurança da população. Sempre que são impedidas de atuar ou sofrem ataques ou retaliações, quem padece é o povo. Oxalá esse bom momento onde as polícias estão podendo cumprir o seu papel se perenize e expanda para todo o território nacional. Isso fará muito bem a todos os brasileiros...

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves - dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) - aspomilpm@terra.com.br  

* Os textos (artigos) aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do GRUcom -  Grupo União de Comunicação.

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