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A revolução climática que vimos enfrentando é assustadora e mundial. Incêndios de grandes proporções, secas devastadoras, tempestades não vistas durante décadas e uma série de desarranjos que fazem a população sofrer. No momento, sofremos o calor intenso aqui no Brasil, com elevadas temperaturas e sensação térmica que chega aos 60 graus, ao mesmo tempo em que no hemisfério norte o povo é submetido ao rigoroso inverno de temperaturas que chegam a dezenas de graus abaixo de zero. Na ótica mais simplória, tudo é culpa do fenômeno ‘el niño’, aquela corrente quente que sobe o Oceano Pacífico e invade acosta da América do Sul, provocando as alterações de tempo. Mudou o regime das chuvas e, principalmente, a intensidade dos ventos que, da média habitual de 40 ou 50 km/h, passaram a deslocamentos de 100 ou mais km/h, provocando destruição e outros inconvenientes a uma região não preparada para esse fenômeno.

Só os estudiosos de meteorologia e ciências paralelas  poderão avaliar e definir se o estado de violência – furacões, tornados e similares – deixarão de existir ou se chegaram para ficar. Difícil saber, com segurança, se são apenas fenômenos passageiros ou profundas alterações na mecânica terrestre. Enquanto não há definição, a providência mais lógica e possível é orientar a população para não enfrentar as águas das enchentes e se proteger até que as tormentas se acalmem. O enfrentamento é pleno risco de vida, mesmo para aqueles que, dentro de um veículo, têm a falsa impressão de estarem protegidos.

Governos – federal, estaduais e municipais – têm o dever de agir para minimizar o sofrimento e a insegurança da população. Fornecedores de água, eletricidade, comunicação e outros serviços têm de adotar medidas especiais para que sua clientela não seja penalizada por longos períodos de desabastecimento. O poder público tem de criar novas normas para a fiscalização e manutenção das árvores em vias públicas de forma a evitar que apodreçam e possam cair sobre os transeuntes ou seus veículos e que interrompam a fiação dos postes. A população deve ser motivada (ou até convocada) para observar a árvore da frente de sua casa e até ser autorizada a contratar os serviços de remoção daquelas que se revelarem comprometidas.

O devastador fenômeno das cheias é ponto que exige providências governamentais pois só os governos possuem força financeira para enfrentar os custos dessa obra de grande envergadura. Em praticamente todas as áreas urbanizadas dos 5570 municípios brasileiros há pelo menos um lugar onde a água das chuvas se acumulam e provocam problemas. Resultado do desenvolvimento empírico e desordenado, que cada dia mais exige providências e elevados investimentos que, enquanto não ocorrem, vão provocando o sofrimento da população e prejuízos econômicos.

Nas últimas décadas, as grandes cidades resolveram os pontos mais críticos de inundação através da construção dos “piscinões”, que recebem a água das enxurradas que chegam velozes, ali são armazenadas e, depois,  liberadas lentamente para evitar as cheias nas vias públicas, córregos e rios à jusante. Mas isso é pouco, tanto que nas localidades dotadas de piscinões as enchentes de ruas e até bairros inteiros continuam ocorrendo.

A convivência das áreas urbanas com as águas das chuvas só se estabilizará quando os governos estabelecerem programas técnicos de prevenção. Uma das razões das cheias dos fundos de vale é impermeabilização massiva do solo na área de drenagem. Não tendo como ser absorvida pelo solo, a água da chuva corre para as áreas baixas e causam a cheia, principalmente nas áreas onde os rios e córregos já foram canalizados e tiveram suas margens transformadas em avenidas ou parques. Com a agravante de, pela maioria das cidades, que nasceram nas margens dos rios, as urbanizações terem começado pela parte baixa. As tubulações empregadas para abrigar o curso d’água original tornam-se insuficientes quando a maior parte da faixa de drenagem deixa de absorver a chuva e a água corre toda para o fundo do vale. Para solucionar, sempre que autorizar a expansão imobiliária, os governos têm de revisar o calibre dos tubos para evitar que a água vaze para as avenidas ou prédios vizinhos ao antigo riacho.

É comum vermos técnicos do governo dizerem que o Brasil é muito atrasado na administração das águas e no saneamento básico. Não consegue manter os rios limpos e nem tratar os esgotos. Essa é apenas uma parte do problema. O controle das cheias é outra questão negligenciada, que precisa ser colocada na pauta de produção dos governos. A população não pode continuar convivendo com o sobressalto de ser arrebatada e ter seus pertences e até a vida perdidos nas águas das chuvas. Governantes e parlamentares, eleitos pelo povo, têm o dever de buscar soluções para esse aflitivo problema. E a solução está mais próxima do que se imagina. Órgãos governamentais e setor técnico das universidades já correram o mundo em visitas técnicas para aprender como cidades da Europa, Estados Unidos e outros pontos desenvolvidos do planeta resolveram a convivência da população com a água caída do céu e acumulada nos vales. É uma questão de vontade política e, logicamente, de investimentos. Por mais desconhecidos e intrigantes que sejam os problemas, eles requerem trabalho em busca das soluções. Mãos à obra!

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves - dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) - tenentedirceu@terra.com.br - aspomil2@uol.com.br

* Os textos (artigos) aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do GRUcom -  Grupo União de Comunicação (Jornal União/Portal www.jornaluniao.com.br/Rádio e TV Jornal UniãoWeb).

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