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Apresentação do espetáculo “Bora!” no Teatro Ouro Verde abre as celebrações pelas três décadas da companhia, que também anuncia estreia de nova montagem em São Paulo

Chegar aos 30 anos de trabalho ininterrupto é uma façanha que, infelizmente, poucas companhias de dança alcançam no Brasil. Não faltam, portanto, motivos de celebração para o Ballet de Londrina, que sopra velinhas no mês de dezembro. Até lá, realiza uma série de atividades especiais dentro e fora da cidade com o objetivo de reafirmar sua história de revolução e seu presente de reinvenção. O início das comemorações está agendado para sábado (10), às 20h, no Cine Teatro Universitário Ouro Verde. Os bailarinos voltam a este palco com “Bora!” após a estreia no ano passado, que lotou o teatro e surpreendeu pelos minutos seguidos de aplauso para a coreografia assinada por Henrique Rodovalho, premiado diretor da Quasar Cia de Dança.

Ingressos podem ser adquiridos por R$20 e 10 (meia-entrada) no Sympla pelo link https://www.sympla.com.br/evento/espetaculo-bora-ballet-de-londrina-30-anos/2015589 ou na bilheteria do Ouro Verde, se houver lugares restantes no dia da apresentação. A classificação indicativa é livre.

“Bora!” marca uma virada na trajetória do Ballet de Londrina, que passa a ter coreógrafos convidados em ciclo rotativo, com direção geral de Marciano Boletti e direção de produção de Danieli Pereira. Rodovalho abre este ciclo imprimindo aos dez bailarinos sua movimentação, que valoriza braços e quadris, contrasta velocidades e investe em sutil dramaturgia. “Bora!” é um espetáculo leve e alegre, um chamado para ir adiante – como propõe a interjeição do título. Mas também lança a enigmática pergunta: ir para onde? Faz, assim, um estudo irônico e irreverente sobre o comportamento humano na pós-modernidade – tempo de fim das utopias e de relações líquidas.

Animado pela música eletrônica dos DJ’s Aoki Takamasa e Komet, a coreografia apresenta-se, em alguns momentos, como uma sequência de fotografias cinéticas que revelam a fragilidade dos afetos no século XXI, entre o desejo de pertencimento e a necessidade de manter a individualidade. É possível identificar o “efeito manada” das redes sociais, que, ao mesmo tempo que garantem o sentimento de integração com grupos de pensamento parecido, é o ambiente da solidão, dos cancelamentos, das bolhas e dos haters.

O cenário, assinado pelo coreógrafo e por Renato Forin Jr., leva ao palco estruturas luminosas que contornam um vazio branco reflexivo. Ele remete à imensidão do espaço virtual, como se os bailarinos dançassem sobre uma grande tela. Num átimo, os limites deste quadro se quebram e os movimentos do elenco contornam os leds, que flutuam em outro não-espaço – o da nuvem. Em contraste à dimensão espacial asséptica, tecnológica, os figurinos de Cássio Brasil trazem cores quentes, entre o ocre e o alaranjado, que apelam para a sedução do calor humano.

Esta é a primeira apresentação do espetáculo em Londrina este ano. A companhia tem cumprido turnê por dez cidades do Paraná com apoio da Copel e incentivo do Governo do Estado do Paraná, via Profice, além de estar nos ensaios finais de nova montagem, chamada “Cinco”. “O Ballet de Londrina está em um momento muito bom de sua trajetória, com montagens criativas e sendo muito bem recebido por onde passa, seja em cidades pequenas ou maiores, seja por jovens ou pelo público adulto. Isso tem a ver com trabalho continuado, mas também com renovação e com a oxigenação das ideias – a única forma de chegar aos trinta anos com vigor”, explica Marciano Boletti.

Estreia em São Paulo

Uma novidade que demarca o lugar de destaque do Ballet de Londrina na dança brasileira é, aliás, a próxima estreia, que, pela primeira vez, acontece fora da cidade-sede. “Cinco”, também coreografado por Henrique Rodovalho e que compõe programa com o anterior, tem première no mês de julho no Sesc Vila Mariana, em São Paulo. Londrina poderá conferir a novidade em outubro, na programação do Festival de Dança. Com cinco bailarinos no elenco, a peça evoca a energia dos quatro elementos naturais e da progressiva materialidade orgânica que dá origem à vida, até chegar à quintessência humana. Por seu caráter primal, ele é apresentado antes de “Bora!”, que, após a fase de natureza, representa o mergulho do homem na civilização.

O elenco do Ballet de Londrina é formado pelos dançarinos Alessandra Menegazzo, Ariela Pauli, Higor Vargas, Ione Queiroz, José Villaça, Matheus Nemoto, Nayara Stanganelli, Peter Levi, Viviane Terrenta e Wesley Silva. A companhia está vinculada à Funcart – Fundação Cultura Artística de Londrina, com patrocínio da Secretaria de Cultura e da Prefeitura Municipal de Londrina. A apresentação de “Bora!” no Teatro Ouro Verde tem apoio institucional da Universidade Estadual de Londrina – Casa de Cultura da UEL.

Renato Forin Júnior/Ballet de Londrina

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