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A mostra traz desenhos, maquetes e outros trabalhos feitos pelos alunos em homenagem a personalidades negras que marcaram a luta pela igualdade racial

O Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Abdias do Nascimento promove, até sexta-feira (25), a VIII Semana Cultural Abdias do Nascimento. A iniciativa homenageia as personalidades negras que foram celebradas ao longo dos dez anos de história da unidade escolar, além de aludir ao Dia da Consciência Negra, que foi no último domingo (20). O evento começou nesta segunda-feira (21), com uma cerimônia de abertura às 17h15. Ao longo da Semana, as crianças mostram de forma lúdica o que aprenderam e trabalhos que fizeram sobre aspectos culturais afro-brasileiros, a partir da história dos artistas e ativistas homenageados.

A mostra tem maquetes, esculturas, desenhos e fotografias feitas por 78 crianças, das turmas de C1 a C3 (de um a três anos de idade), e pode ser visitada pelo público em geral das 8h às 18h. O CMEI fica localizado na Rua Santa Rosa, 141, Conjunto Pindorama.

A Semana Cultural é resultado de um trabalho desenvolvido durante todo o ano letivo em consonância com as Leis nº 10.639, de 2003, e 11.645, de 2008, que versam sobre a obrigatoriedade de trabalhar temáticas da História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena nas unidades escolares. As personalidades que já foram homenageadas pelo CMEI em edições anteriores da Semana são o escritor e ativista pelos direitos humanos das populações negras brasileiras Abdias do Nascimento (1914 – 2011), patrono da unidade escolar; o artista plástico Arthur Bispo do Rosário (1909 – 1989); o fotógrafo Walter Ney (1957 – ); a escritora Carolina Maria de Jesus (1914 – 1977); a fotógrafa Angelica Dass (1979 – ); e o doutor Oscar do Nascimento (1929 – 2019), que foi cidadão honorário de Londrina, advogado e professor que lutou por causas sociais.

Para a coordenadora pedagógica do CMEI, Laura Maria Giorio Saviani, a iniciativa é muito importante para a formação das crianças. “Procuramos apresentar essas figuras de forma muito lúdica. Apesar de serem pequenas, as crianças estão inseridas numa sociedade em que o preconceito ainda grita. Então, para elas, conhecer a vida, os desafios, as vitórias de cada personalidade, é algo que traz inspiração e contribui para a afirmação, pois elas vão se lembrar disso quando crescerem. Essa formação contribui com os pais e com a comunidade também, que vem visitar a mostra”, avaliou.

Como nos últimos dois anos, por conta da pandemia, o CMEI não pôde realizar a Semana Cultural, neste ano a unidade relembra a história de todas as figuras homenageadas nos anos anteriores. Saviani relatou que a cerimônia de abertura, na segunda (21), foi muito especial e contou com a presença de Maria Aparecida do Nascimento, irmã do doutor Oscar do Nascimento, homenageado na Semana Cultural de 2017. “Nossa diretora, Simone Cavalin, contou um pouco da história do CMEI e das personalidades que já homenageamos. Depois, Maria Aparecida do Nascimento falou aos alunos e aos pais e, em seguida, o C3 A apresentou a música ‘Vedete da Favela’, de Carolina Maria de Jesus, e o C3 B encenou a poesia ‘Meninos de todas as cores’, de Lúcia Ducla Soares”, informou.

Dentre os trabalhos expostos na mostra, ao longo de toda a semana, estão uma maquete da casa de Carolina Maria de Jesus, desenhos da família e da casa de Oscar do Nascimento, dentre outros. “Uma turma estudou o baobá, pois as cinzas de Abdias do Nascimento foram espalhadas num local em que foi plantado um baobá. Outros recriaram esculturas e pinturas do Bispo do Rosário, e fotografias dos artistas como Angelica Dass e Walter Ney”, descreveu. Os pais também contribuíram com contos e histórias de suas infâncias, em homenagem à escrita de Carolina Maria de Jesus.

Para o próximo ano, Saviani revelou que a equipe do CMEI já está pensando em quem poderão homenagear. “Quando ensinamos sobre alguém que já faleceu, tentamos sempre apresentar às crianças de forma teatral, lúdica, para que conheçam um pouco da vida e obra. Mas, se pudermos, gostaríamos de homenagear no ano que vem alguém local, e que ainda esteja vivo, pois as edições em que pudemos chamar a personalidade para vir ao CMEI foram muito ricas, e os alunos gostaram muito”, concluiu.

Edições anteriores

Segundo a diretora da unidade, Simone Cristina de Farias Cavalin, a proposta da Semana Cultural foi baseada no trabalho do patrono do CMEI. “Como Abdias do Nascimento era engajado no movimento negro, partimos dele para começar a iniciativa. Escolhemos sempre figuras cuja vida e obra estejam relacionadas à defesa da igualdade racial e que tenham tido também uma influência na educação, e contamos sobre a vida deles desde a infância até a vida adulta”, explicou.

A diretora destacou dois momentos muito especiais nesses dez anos da Semana Cultural. “Em 2017, homenageamos o doutor Oscar do Nascimento. Ele veio conversar com as crianças, e pensou que ia ter que contar toda sua história de vida, contar que era advogado, que foi o primeiro negro no curso de Economia da UEL. Mas ele ficou muito surpreso ao descobrir que as crianças já sabiam de tudo isso, e o que queriam perguntar mesmo era de que comida ele gostava, com o quê gostava de brincar, coisas assim. Ficamos muito contentes, porque depois, em uma entrevista à Folha de Londrina, ele relatou que, mesmo tendo recebido já muitas homenagens, a do CMEI foi a que mais o emocionou, pois foi feita por crianças”, relembrou.

Outro momento importante para Cavalin foi em 2015, quando o homenageado foi o fotógrafo Walter Ney. “Ele foi criado na região, e esteve presente ao longo de toda a Semana. Ele explicou sobre suas fotos e fez vários bate-papos com as crianças. Ambas foram experiências muito ricas, é muito intenso para elas ver a pessoa que estudaram e pesquisaram. Nas duas ocasiões, ouvíamos os alunos muito animados dizendo ‘ele está aqui’”, lembrou.

A diretora relatou ainda que os pais têm demonstrado bastante interesse nas atividades, e tem trazido parentes e conhecidos para prestigiar. “Convido toda a comunidade para conhecer nossa Semana Cultural, estamos dispostos a receber todo mundo”, chamou.

Débora Mantovani/Asimp

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