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Entrevistador Imaginário: Podemos começar?

Téo Soares: Claro. Só vou te dar um toque pra entrevista rolar melhor. Não finja ser o que você não é. Não finja ser um intelectual, um cara super culto, profundo conhecedor de literatura, que vai vir pra cima de mim com afetação, com arrogância, tentando me intimidar, tentando duelar comigo, porque eu não vou cair nessa. Não vou fingir ser o que não sou, não vou tentar parecer ter um nível cultural que não tenho, beleza? Então se você for por esse caminho aí, vai ficar falando sozinho. Seja simples e direto.

Entrevistador Imaginário: Ok, sendo simples e direto então. Londrina é uma selva?

Téo Soares: Sabia que viria uma perguntinha besta dessas (risos). Falei pra ser simples, mas não tanto... Não. Londrina não é uma selva. Londrina é uma cidade relativamente pacata, relativamente entediante, que nas últimas décadas vem ficando cada vez mais chata, mais abandonada, em todos os sentidos, culturalmente, economicamente, politicamente e até em termos populacionais. O Censo recente do IBGE está apontando isso. Antes a gente era a terceira cidade do sul do Brasil, e agora somos a quarta, com tendência de nos próximos levantamentos cairmos para a sexta posição. E até dentro do Paraná estamos crescendo menos que cidades como Maringá, Ponta Grossa e Cascavel. É claro que em cidades do porte de Londrina acontece de tudo, como em qualquer outra cidade de porte médio ou grande. Mas, em essência, Londrina não é uma selva, no sentido do senso comum do que é ser uma selva, algo caótico, perigoso, labiríntico, sufocante e tal. Aliás, quando pensei nesse subtítulo do livro, “bem-vindos à selva”, eu quis dar essa conotação mesmo, essa noção imediata do que é “selva” que vem na mente das pessoas, até pra chamar a atenção mesmo, despertar o interesse pro livro. E outra coisa: tem um conto no livro que se chama exatamente “Bem-vindos à selva!”, e aí já é outra conotação, porque o sentido está entrelaçado com o enredo e tal. Não quero falar com minúcias aqui sobre o conto, até porque meus contos são curtíssimos, então se for falar muito vou dar spoiler e aí não vou vender o livro. Mas esse conto é de um cara que se transforma, abandona seus hábitos comedidos, civilizados, pacatos, e de repente, num lugar e num momento sui generis, tem um espasmo selvagem, faz sexo selvagem com a parceira, que na verdade nem era propriamente uma parceira, no sentido de um vínculo afetivo consolidado. E é justamente por isso que ele explode, porque ele tenta criar esse vínculo durante muito tempo, mas ela meio que nega. E sobre ela própria também recai um outro sentido, que é ela acabar vendo que a vida é uma selva, é algo perigoso mesmo, e que não adianta tentar se resguardar muito, porque uma hora a realidade te abocanha, te dá uma porrada, e o encanto desaba na tua cara e tal. Então pra esses dois personagens, cada um tem a sua própria selva pra adentrar ou confrontar, e é por isso também que resolvi botar o título desse conto no plural, “bem-vindos à selva”, e não bem-vindo ou bem-vinda. E, é claro, o plural serve pro leitor achar que a selva é Londrina, pode ter essa conotação também. Então tem essas razões pra eu ter escolhido o subtítulo “bem-vindos à selva”, mas se você for fazer uma análise mais profunda do livro como um todo, essa “selva” que tento passar é na verdade outra coisa. É a condição humana, é o absurdo da vida, é a ausência total de sentido nos acontecimentos. Nem Deus, nem as leis, nem a filosofia, nada dá conta de dar sentido às coisas, às tragédias, aos males, às violências, às ganâncias, à morte, à fatalidade, os perrengues eternos que nos fodem a vida... Então a selva pra mim é esse absurdo orgânico, estrutural, de viver sem respostas, e ter que aceitar isso tudo que acontece por aí e que a gente não tem o que fazer pra solucionar. De todos os sentidos, esse é o que norteou mais a escolha desse subtítulo pro livro como um todo.

Entrevistador Imaginário: Uma coisa comum nos seus contos é um final impactante. Isso é um estilo seu?

Téo Soares: Não sei. É algo que usei pra esse livro e não sei se vou usar nos próximos. Se esse vender relativamente bem, eu faço outro nesse estilo. O que eu acho é que todo conto tem que ter um final impactante. É meio que um requisito do gênero. No meu caso, eu gosto muito de finais impactantes e exploro isso nos contos, até pra evidenciar o que eu falei acima, do absurdo da vida, de nada fazer sentido, e que tudo pode acabar de uma hora pra outra, que é meio uma mensagem do livro como um todo, ou o leitor pode concluir isso. O que é fazer sentido? Fazer sentido é aquela mentira que contam pra gente que um dia a gente vai crescer, trabalhar, ter um ótimo emprego no qual você vai se realizar, casar com sua alma gêmea e ter uma família feliz. Isso tudo é ou pode ser mentira, e a probabilidade dessas metas de sentidos de vida não acontecer é muito maior. Sabemos que a vida real é feita de dificuldades, de surpresas ruins, de frustrações, de trabalho duro, chato, tedioso, normalmente num emprego que não era o dos seus sonhos, de casamento cheio de encrencas, decepções, vazios de sentido, enfim. Na maioria dos meus contos não tem a mentira do final feliz. Tem o absurdo, a boca aberta de espanto, e tem por fim a reflexão do leitor pós-impacto do desfecho. Cara, a gente tá num mundo em que pra você chamar a atenção das pessoas você tem que impactar, não pode ser enredozinho morno de novelinha das seis, entende? Então eu uso sim um final nos contos que é sempre marcante, e que é o desfecho de uma história bem original, diferente, esdrúxula. Até porque eu acho que o conto é uma porrada, ele tem que ser como uma luta de MMA, interessante, curta e com nocaute no final. Então, se isso é um estilo meu, o tempo dirá. O que eu sei é que gosto de fazer dessa forma e isso é o que importa.

Entrevistador Imaginário: E o romance? Pretende trabalhar com esse gênero também? Por que você escolheu o conto?

Téo Soares: Olha, eu não escolhi o conto. A gente trabalha com as ferramentas que tem à mão. Hoje eu não me sinto equipado para fazer um romance. Pra você se aventurar num romance, na minha percepção, você tem que ter certas prerrogativas que acho que não tenho ainda. E não me envergonho disso. O único autor de língua portuguesa que ganhou um Nobel foi o Saramago, que só passou a ser conhecido como escritor depois dos 60 anos. Então, acho que tenho muito chão pela frente ainda pra um dia, quem sabe, me sentir preparado, equipado, não pra ganhar um Nobel, mas pra escrever um romance. Mas um romance que valha a pena. Não quero escrever qualquer coisa só pra dizer “olha, escrevi um romance!”. O conto no momento, me cai muito bem. Até do ponto de vista da praticidade. Pra criar um conto é rápido, mil vezes mais rápido do que eu imagino que seja criar um romance. E eu tô numa fase agora na minha vida de querer aproveitar o tempo e tal. Eu toco nessa questão do tempo no conto “Bem-vindos à selva!”, na parte final quando é mostrada a tatuagem do coelho do filme do “Donnie Darko” com a fala notória dele, que é “o mundo vai acabar” e tal. Então essa urgência do mundo vai acabar é pra mim também. Eu não me vejo escrevendo um romance hoje por isso também, porque quero aproveitar a vida, quero coisas rápidas, que me tragam resultados rápidos. Eu sei que isso é uma merda também, esse imediatismo no qual a humanidade tá atolada, mas eu tô dentro da humanidade e envolvido nisso também. Você imagina o cara se dedicar anos num romance e depois quando bota na praça pra vender constatar que foi um fracasso, que não valeu de nada. Isso pra mim é desesperador. Isso pra mim seria uma selva inexpugnável. Taí um bom sentido de “selva” pro livro. Eu tô tentando lutar com a minha própria selva hoje em dia que é tentar vencer o tempo, as amarras do tempo, a prisão do tempo, o derretimento do tempo etc. Então o conto é o que temos pra hoje. É o que dá pra mim hoje. Se tudo der errado, pelo menos não perdi tanto tempo, entende?

Entrevistador Imaginário: Você não dá entrevistas presencialmente, não gosta de aparecer, só dá entrevistas por e-mail. Por quê? Isso não dificulta a divulgação do teu trabalho?

Téo Soares: É claro que dificulta, e muito. Basta você pensar que hoje em dia é tudo audiovisual. Você vê por aí que o sucesso hoje em dia, em qualquer área, é botar a cara lá no You Tube, no Tik Tok, no Instagran e tal. Você não imagina as estripulias que eu tenho que fazer pra divulgar esse livro com essas limitações que eu me imponho, de não dar entrevista presencial, não querer aparecer, não fazer nem noite de autógrafos etc. Cara, eu sou bem assim. Realmente fama nunca me interessou, muito pelo contrário, eu fujo da fama. Quero que meus livros brilhem, eu não. Eu quero chegar num lugar e não ser reconhecido, pra poder viver normalmente, sem ter que me preocupar com imagem, com o que os outros vão pensar, sem aporrinhações e tal. “Olha aqui, eu gravei o Téo Soares no supermercado”; “Olha, o Téo Soares jogou papel no chão!”; “Olha lá o Téo Soares entrando no cinema, vamo fazer uma selfie!”. Não, isso não é pra mim. Fama é uma prisão que eu dispenso. A gente já tem várias prisões na vida, a condição humana, os absurdos da vida, já são uma prisão enorme, então não quero mais uma não. Se der pra ganhar dinheiro sendo escritor e não sendo famoso, pra mim tá ótimo. É o meu objetivo.

Entrevistador Imaginário: E a ideia de focar em contos curtos? Seus contos costumam ter uma média de páginas bem inferior aos contos que se tem no mercado. Você acha que é um bom nicho de mercado?

Téo Soares: Primeiro que não foi uma ideia, não foi algo planejado. Teve a ver com essa minha necessidade de não perder tempo. Mas do ponto de vista do marketing, eu acho que é um ótimo nicho de mercado. Hoje em dia ninguém tem mais tempo pra nada. Você imagina nesse mundo de tecnologias, de celular, de conversas rápidas e quase iconográficas, de emoji pra cá, figurinha pra lá, as pessoas mal leem até nos aplicativos de mensagem onde conversam, imagina ler um livro de trezentas páginas? Não vão ler, não vão comprar, e ponto final. O artista hoje em dia tem que se adaptar à realidade do público, que tá totalmente imerso, atolado nessas tecnologias que, verdade seja dita, não contemplam a leitura como fonte relevante de fruição artística ou de entretenimento e tal. Então eu percebi que a única chance que um escritor que quer sobreviver hoje tem é dar mais com menos. E o “menos” que digo é menos páginas, menos quantidade de palavras, que é a medida ideal pra se comparar tamanhos de livros. E o dar mais é o que eu procuro fazer, que é um entretenimento de qualidade, com intensidade, bem escrito, com boas e originais histórias, e num tempo curto. Se o meu leitor sair satisfeito com a história de um conto meu e ainda sentir que não desperdiçou o tempo da vida dele, pra mim é uma satisfação em dobro. Até por isso, voltando à questão do porquê não tento o romance, é por isso também. Eu não quero perder o meu tempo, nem o tempo dos outros com romance, porque pouca gente tem tempo e disposição pra ler romance. Eu acho que o conto é gênero perfeito pra esse momento da humanidade, pelo menos até o homem se consertar, parar com essa loucura de querer abraçar “tudo ao mesmo tempo agora”, nas poucas horas do dia que tem pra viver… mil tecnologias, mil contatos com mil pessoas por dia, e o pior, nenhum desses contatos com um mínimo de riqueza, com um mínimo de respeito ou atenção à pessoa que tá conversando com você, seja na rede social, seja face a face, seja onde for… e ainda chega no final do dia e a pessoa se sente frustrada porque não deu pra fazer tudo o que queria. Então, uma leitura rápida, de 15 minutos, de um conto, entre uma curtida e outra no Facebook, entre uma troca de emojis e outra no WhatsApp, entre uma visualização de um vídeo e outro no Tik Tok ou no Instagram… ou então entre as coisas mais práticas da vida, como ler um conto de 15 minutos enquanto espera o ônibus no ponto, enquanto espera a longa fila do caixa do supermercado, enquanto espera ser atendido no posto de saúde, enquanto anda de metrô etc. etc…. Acho que essa leitura curta, esse entretenimento curto e de qualidade cabe aí, cabe nesse dia a dia louco das pessoas. Até pra torná-lo menos louco e mais interessante, mais criativo, mais imaginativo.

Entrevistador Imaginário: Em vários momentos do livro, salvo engano em todos os contos do livro, você abre colchetes para narrar fatos verídicos sobre Londrina, sobre personalidades dela etc. Por que isso?

Téo Soares: Eu queria botar algo diferente no livro e algo sobre londrina, além de já ter ambientado as histórias dos contos em Londrina. Algo que não comprometesse a narrativa dos contos, que não fosse ligada a ela, e que falasse de Londrina. Então fui logo pro contraste que é a dualidade ficção/realidade. Inserindo pequenos trechos de fatos verídicos ao longo do livro, eu poderia matar esses dois coelhos com uma cajadada, que era a vontade de falar mais de Londrina e não interferir nas histórias dos contos. Por isso o uso dos colchetes, pra deixar claro ao leitor que aquele trecho ali não faz parte do conto, embora, de alguma forma, em um conto ou outro, possa dialogar indiretamente, tangenciar, o sentido da história ou de um trecho da história e tal. E também eu quis dar uma leve sensação caótica ao leitor quando ele se deparasse com esse trecho ali no meio da narrativa, aparentemente meio sem nexo, sem razão de ser, apenas para falar de Londrina e tal. Mas isso é proposital no sentido de passar também uma noção de caos mesmo, pro leitor ficar ligado, atento, como se a qualquer momento algo estranho à narrativa fosse aparecer e instigá-lo a pensar sobre algo fora dela. Eu quis passar uma sensação de estranheza mesmo, que eu acho que tem a ver com selva, um lugar de surpresas, que você tem que ficar atento ao diferente e tal, algo inesperado que foge do normal que pode acontecer a qualquer momento. Enfim, fiz uma salada ali diferente, mas acho que caiu bem. E até tem outra coisa: eu quis mostrar ao leitor a selva do Téo Soares também, a minha selva, o aspecto caótico da minha criação, até porque acho que isso vai ser uma marca minha. Eu quero sempre fazer livros diferentões. Então é o bem-vindos à selva do Téo Soares também. Eu acho que ficou legal essas inserções de realidade. Acho que ficou saboroso, gostoso de ler. Aliás, eu tava pensando num nome pra isso e pensei em “dropes de realidade”. É uma boa definição.

Entrevistador Imaginário: Nesses trechos de fatos verídicos há vários elogios a Londrina, ainda que de forma sintética. O livro tem a intenção de homenagear a cidade?

Téo Soares: Não, não é um livro pra homenagear Londrina, não é um livro de amor a londrina. Nos fatos reais que eu relato ao longo dos contos, há muitos enaltecimentos da cidade mas falo dos problemas também, ainda que de forma leve e tal, porque esse não é o objetivo do livro, nem de criticar nem de enaltecer Londrina. Não sou daqueles escritores que lançam mão dessa estratégia marketeira de homenagear uma cidade pra ganhar algo em troca. Acho isso de uma apelação incrível, porque é uma forçada de barra vergonhosa. Fica na cara que é uma bajulação interesseira. A cidade vira o paraíso na Terra, algo perfeito e tal. Parece até que o cara se masturba olhando pro cartão postal da cidade, e a gente sabe que ninguém tem esse amor por cidade nenhuma, até porque toda cidade tem defeitos e qualidades, e não dá pra tapar os olhos pros defeitos e morrer de amores pelas qualidades. E nesse meu livro fica claro que não é uma louvação a Londrina quando o personagem principal de um dos contos, que é um dos principais contos do livro, deixa a cidade. E essa saída dele, diante do contexto do conto, acaba transparecendo subliminarmente um rebaixamento da cidade, porque acaba vinculando-a de forma indireta a uma sensação de paralisia, de marasmo, contra a qual o personagem se revolta no conto num sentido existencial. Outra coisa: nos trechos de fatos verídicos eu exponho defeitos da cidade, por exemplo, vou citar um trecho aqui: “O caso teve como figura central o doleiro londrinense Alberto Youssef, que também foi personagem importante em outro escândalo, o do Petrolão, apurado pela operação Lava Jato. Londrina, cotidianas corrupções”. Então esse não é exatamente um trecho de um livro de amor a Londrina, feito pra bajular, concorda? Agora, tem também vários trechos nos quais enalteço características da cidade, como nesse trecho aqui: “Em silêncio majestoso, a cada voto dado favoravelmente à cassação do prefeito Antônio Belinati, braços e mãos dadas se levantavam nas galerias lotadas da Câmara Municipal de Londrina naquela manhã do ano 2000. Olhos firmes e reivindicantes direcionados aos vereadores no plenário. Imediatamente após o último voto selando a cassação do prefeito, um êxtase glorioso toma conta das galerias, e o Hino Nacional é cantado entre lágrimas e vozes redentoras, cívicas e sublimes. Londrina, pátria do Movimento Pé-Vermelho Mãos Limpas”. E esse foi um momento lindo da cidade no qual a sociedade toda se mobilizou contra a corrupção. Então o livro não é uma declaração de amor incondicional a Londrina e nem um livro crítico à cidade.

Entrevistador Imaginário: No conto “Bem-vindos à selva!”, você passa o tempo todo chamando os personagens de “ele” e “ela”, mas no final do conto você revela o nome…

Téo Soares: Por favor, não faça essa pergunta senão vai revelar ao leitor um aspecto curioso, instigante, do final do conto. Os finais dos meus contos são os principais momentos deles. Se você revela o final ou mesmo um aspecto do final, dá qualquer pista sobre o final, você tá tirando do leitor um valor enorme da leitura. Pule essa pergunta, por favor. Quando esse livro já tiver vendido milhões, já tiver ganho o Nobel de literatura, aí tudo bem, aí você me chama e a gente conversa sobre os finais dos contos.

Entrevistador imaginário: Gostaria de dizer mais alguma coisa pra finalizar?

Téo Soares: Sim. Gostaria de pedir pras pessoas comprarem o livro. Caramba! É um preço ridículo, porque é e-book! Um preço irrisório por um entretenimento de qualidade, que não vai roubar o teu tempo, que você pode ter em qualquer lugar porque é digital, vai tá la no seu celular onde quer que você esteja, ou no teu tablet, no teu e-reader, no teu computador. Me ajudem a contrariar esse sistema das celebridades ou pseudocelebridades de hoje em dia que obriga a quem quer ter sucesso a ter que mostrar a bunda por aí, a ter que falar merda em podcast pra render visualizações, a ter que falar asneira sobre sua vida pessoal, a inventar escândalos amorosos, bobagens, coisas ridículas e vexatórias sobre seus relacionamentos pra atrair a atenção das pessoas e produzir uma imagem que venda alguma coisa ou a elas próprias. Eu me recuso a fazer parte disso aí. Me ajudem a ter sucesso sem mostrar a cara, sem falar nada da minha vida pessoal. Porque o que quero vender é apenas meu livro, apenas o prazer, a descontração, o entretenimento, que a leitura dele pode dar, mais nada. Eu não quero me vender, eu não quero ter milhões de pessoas me seguindo nas redes sociais pra lucrar com isso vendendo coisas nelas, fazendo propaganda pra grandes empresas de produtos que nem uso, que nem gosto, como muita gente faz por aí. Me ajudem a quebrar essa lógica do sucesso que impera hoje em dia e mostrar pro mercado que as pessoas estão fartas dessa mentirada toda, dessa artificialidade toda, dessa bosta toda, desse modelo de sucesso. Então, comprem o livro porque, se não é grande coisa, pelo menos entretém, diverte, distrai e tal.

Entrevistador Imaginário: Obrigado pela entrevista.

Téo Soares: De nada.

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