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Quando o Nelson Gonçalves apareceu lá em casa, ficamos bastante surpresos. Não estávamos acostumados a receber uma personalidade como aquela.

O acolhemos. Não custava nada repartir mais um prato de comida com nosso convidado ilustre.

Entretanto, após pouco tempo, começamos a perceber que o Nelson Gonçalves apresentava um comportamento, digamos, um tanto quanto fora do padrão do pessoal lá de casa.

Ele gostava de dormir muito durante o dia, e de jeito maneira, podíamos lhe incomodar. Ele se zangava e disparava olhares reprovadores, pincipalmente, quando alguém falava mais alto e o acordava, quando estava tirando seus cochilos no sofá da área ou na cama que tínhamos no velho quartinho de costura de minha mãe.

Já a noite, ele não ficava em casa. Era só as estrelas aparecerem no céu, que o Nelson Gonçalves partia para a boemia.

Além de boêmio, o sujeito era um baita de um briguento. Discutia com outros sujeitos da rua quase toda noite, chegando às vias de fato em várias ocasiões. 

O Nelson Gonçalves ficou falado pela vizinhança. Sua fama de boêmio e de briguento, correu à boca pequena.

Geralmente, no outro dia de manhã, enquanto tomávamos o café para irmos trabalhar, chegava o bonito, todo arranhado pelas brigas, com alguns hematomas pelo corpo, mas mesmo assim, fazendo gracinhas para alegrar nossas vidas.

Era o jeitão dele. 

Com o passar do tempo, criamos um pouco mais de intimidade e passamos a chama-lo simplesmente de Nerso.

E ele também ficou um pouco mais “civilizado”, principalmente quando chegava visita lá em casa. Tinha mania de ficar ouvindo a conversa, fazia brincadeiras para alegrar o pessoal e acompanhava o visitante até a porta para este se despedir.

Porém, ao escurecer, ele saia de fininho rumo às suas gandaias e confusões pela cidade, que às vezes, chegava a durar noites e dias. 

Preocupados com nosso amigo Nelson Gonçalves ficamos de fato, em uma ocasião, onde ficou sem dar notícias por quase uma semana.

Chegamos a noticiar seu desaparecimento nas redes sociais e num jornal local com a seguinte manchete:

“Gato desaparecido. Atende pelo nome de Nelson Gonçalves. Tem a pelagem branca com algumas manchas negras sobre o dorso e no rabo. Quem o encontrar favor entrar em contato”.

Dois dias depois do anúncio, o Nelson Gonçalves voltou para casa, com seu jeitão despreocupado e se fazendo de desentendido.

Ainda não descobrimos por onde andou, se esteve envolvido em mais alguma confusão com os outros gatos do bairro, ou por acaso, teve uma aventura romântica com alguma (s) gatinha (s) pelos bordeis gatunos de sua boemia.

Rodrigo Alves de Carvalho nasceu em Jacutinga (MG). Jornalista, escritor e poeta possui diversos prêmios literários em vários estados e participação em importantes coletâneas de poesia, contos e crônicas. Em 2022 relançou seu primeiro livro individual intitulado “Contos Colhidos” pela editora Clube de Autores, disponível na Amazon, Americanas.com, Estante Virtual e Submarino - rodrigojacutinga@hotmail.com

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