Digite pelo menos 3 caracteres para uma busca eficiente.
Cultura 20/09/2022  07h13

Crônica: Despertadores

— Clodoaldo meu amigo! Como vão as coisas? E o novo emprego?

— Qual novo emprego?

— Ora, o emprego na fábrica de tintas que iria começar essa semana.

— Fui demitido.

— Outra vez? É o sexto emprego que você é demitido nesse mês. O que aconteceu dessa vez? Não vai me dizer que chegou atrasado novamente!

— Justamente isso! Cheguei para trabalhar às dez da manhã e fui despedido.

— Mas, e o despertador novo? Não funcionou?

— Acho que tenho algum tipo de maldição. Os despertadores não tocam de manhã quando mais preciso.

— Até aquele despertador digital que você comprou recentemente?

— Aquele mesmo. O programei para despertar às seis horas da manhã, mas quando acordei, com a musiquinha do Caminhão de Gás, já era nove e meia.

— E o despertador?

— Estava lá, mudo como uma porta!

— Não é possível Clodoaldo! Quantos despertadores você já teve?

— Inúmeros! Já comprei despertador à corda e nem tchum dele me acordar. Já tentei colocar o celular para despertar, e quando tocou, já era tarde, na verdade, era o então patrão ligando para me demitir de mais um emprego.

— Você precisa fazer algo urgente Clodoaldo! Não pode ficar perdendo empregos dessa forma por causa dos despertadores.

— Eu sei, mas o que posso fazer? Tenho sono pesado e de manhã preciso que alguma coisa me acorde, senão fico dormindo até tarde.

— Já sei o que fazer Clodoaldo. Vou te dar um presente que fará você acordar todo dia bem cedinho para ir trabalhar.

— Qual é esse presente mágico, meu amigo?

— Um galo!

E dessa forma, Clodoaldo passou a acordar todo dia na hora certa graças ao seu galo, que pontualmente estufava o peito e cantava sem parar quando a claridade do sol começava a despontar timidamente no horizonte.

Entretanto, algumas semanas depois, o amigo de Clodoaldo o encontra cabisbaixo e moribundo.

— O que aconteceu Clodoaldo? Algum problema?

— Fui demitido novamente?

— Por quê?

— Cheguei atrasado.

— Como assim? Você tinha resolvido o problema depois que lhe dei o galo!

— Eu sei..., mas é justamente por isso. O galo não canta mais de manhã...

— O que aconteceu com o galo?

— Eu comi...

Rodrigo Alves de Carvalho nasceu em Jacutinga (MG). Jornalista, escritor e poeta possui diversos prêmios literários em vários estados e participação em importantes coletâneas de poesia, contos e crônicas. Em 2022 relançou seu primeiro livro individual intitulado “Contos Colhidos” pela editora Clube de Autores, disponível na Amazon, Americanas.com, Estante Virtual e Submarino - rodrigojacutinga@hotmail.com

* Os textos (artigos) aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do GRUcom -  Grupo União de Comunicação (Jornal União/Portal www.jornaluniao.com.br/Rádio e TV Jornal UniãoWeb).

#JornalUnião

Utilizamos cookies e coletamos dados de navegação para fornecer uma melhor experiência para nossos usuários. Para saber mais os dados que coletamos, consulte nossa política de privacidade. Ao continuar navegando no site, você concorda integralmente com os termos desta política.