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Uma nova instalação audiovisual no SESC Cadeião, em Londrina, propõe uma imersão ao universo sonoro da Serra da Capivara, no Piauí, enquanto investiga a história da preservação do som por meio de diferentes suportes, ou seja, por meio de imagens sonoras. A experiência é conduzida pelo audiodocumentário “Imagens Sonoras” produzido pela jornalista Rakelly Calliari, e a instalação é integrada a fotografias de autoria de Emerson Dias. A atração permanece aberta ao público de 10 de maio a 09 de junho.

O documentário foi exibido em pré-estreia pela rádio UEL FM, no dia 04 de maio, e está disponível na página da emissora. A produção é resultado de uma viagem da dupla ao interior do Piauí, ocorrida em novembro de 2023. A região é preservada por um parque nacional que completa 45 anos no próximo dia 05 de junho, com mais de 400 sítios arqueológicos que guardam pinturas e gravuras rupestres, entre outros vestígios históricos. As datações obtidas em pesquisas sobre a ocupação humana na região ao longo destas décadas colocaram em xeque a teoria até então mais amplamente aceita a respeito da chegada do ser humano às Américas, o que ainda hoje provoca debates no campo internacional de estudos sobre a distribuição da nossa espécie sobre o planeta.

Como pesquisadora, Rakelly tem estudado formatos de documentação em áudio há mais de 20 anos. Na produção de 40 minutos, ela convida o ouvinte a um passeio pela história de cultura e natureza entrelaçados na Serra da Capivara, enquanto reflete sobre questões relacionadas à fixação dos sons em diferentes suportes e sua manipulação para a construção de sentido.

“Diferente do que ocorre com as imagens visuais, nós dificilmente paramos para pensar que o som reproduzido também é imagem, uma representação de um som. Ainda há um longo caminho a trilhar na compreensão sobre essas imagens. É algo que nas teorias da fotografia e do cinema já está mais amadurecido”, avalia.

O documentário em formato ensaístico é costurado pela narração da autora, e composto por entrevistas, conversas espontâneas, falas geradas por inteligência artificial, sons produzidos por aparatos técnicos rústicos e modernos. Há, ainda, uma predominância de sons da natureza, incluindo momentos importantes de silêncio. “Vivemos uma era em que a presença de sons simultâneos provoca a desatenção; nós ouvimos, mas não escutamos verdadeiramente. Essa produção é um convite para recuperar o prazer de escutar”, diz a autora.

Já o fotógrafo Emerson Dias selecionou 15 imagens para compor a instalação - segundo ele, são pistas visuais que dialogam com a produção sonora: “A ideia não é explicar ou ilustrar o som, mas provocar os sentidos do visitante, para que ele construa sua própria aventura, a partir dos recursos disponibilizados”, afirma.

Rakelly Calliari/Asimp

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