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Cantora da Austrália está no Brasil para realizar pesquisas; noite homenageia o violonista Israel Laurindo, com quem produziu o álbum durante a pandemia

Foram mais de 30 horas de viagem, para realizar um sonho. A cantora Emily Tam chegou neste fim de semana de Melbourne, na Austrália, onde desenvolve pesquisas sobre música brasileira, para coletar materiais, realizar entrevistas e, de quebra, realizar a apresentação ao vivo do repertório do álbum “Dois Oceanos”. A produção autoral realizada de forma remota em parceria com o violonista Israel Laurindo, falecido no ano passado, está disponível nas principais plataformas de áudio, mas ainda não havia sido levada para os palcos, o que será possível agora com a companhia do violonista Osório Perez e outros músicos da cidade de Londrina, no Bar Valentino (R. Pref. Faria Lima, 486), nesta quarta-feira, às 20 horas.

Nascida em Hong Kong, Emily se mudou para a Austrália ainda pequena, e realizou nesse país continental seus estudos universitários na área de educação. Depois disso, morou no Japão, no Brasil, e há oito anos está de volta à Austrália, onde desenvolve trabalhos de performance e pesquisas sobre música. “Estar em Londrina é muito bom, eu me sinto em casa aqui. E será muito especial pra mim poder apresentar esse trabalho feito com o Israel, além de sambas, choros e bossas que canto na Austrália e que gosto muito”, afirma a artista.

Ela conta que o processo de produção do disco levou aproximadamente dois anos, com as composições sendo criadas à distância. “Depois que os arranjos ficaram prontos, a gravação foi relativamente rápida. Eu enviei as vozes e a mixagem e masterização foram feitas pelo Hermano Pellegrini na Cão Diamante, em Londrina mesmo”, explica.

Para Osório, que assume o violão na apresentação desta quarta, a riqueza do repertório está no intercâmbio íntimo de ritmos brasileiros com as letras em inglês. “Encaixou muito bem essa parceria, as canções ficaram lindas. E o Israel estava no auge da técnica, então é um repertório bastante desafiador pra se executar”, comenta o instrumentista, que é líder do movimento de choro na cidade.

Além dele, participam do show o percussionista Nicolas Horn, o flautista Julio Erthal e a cantora Rakelly Calliari, que teve uma composição sua gravada pela dupla de voz e violão em “Dois Oceanos”. A faixa “Borboleta” será cantada em conjunto com Emily, que fez ainda um convite para que a londrinense participe de outras canções, e apresente o tema “Tive Sim”, de Cartola. O motivo do pedido é que, antes de vir a morar no Brasil, Emily conheceu a música por meio de uma gravação do grupo londrinense Samba Sim, disponibilizada na internet. “Eu ouvia esta música andando de trem, quando morava no Japão. Nem acredito que vamos cantar isso juntas”, relata.

Nesta vinda ao Brasil, ela se divide entre Paraná e Rio de Janeiro, coletando materiais para sua nova pesquisa, que tem como objeto o Show Opinião, realizado em 1964, e que representou um marco da resistência artística contra a ditadura militar. E como tudo nessa vida é uma grande troca de experiências, nos ensaios de preparação do show já se desenrolou uma conversa para o Osório Perez a entreviste, por sua vez para a pesquisa que realiza sobre as diferentes etnias que passam por Londrina. Ele está curioso para fazer suas primeiras gravações com uma falante do cantonês, idioma materno de Emily.

Ingressos antecipados R$10 pelo PIX (43988201353), R$15 na portaria do bar

Rakelly Calliari/Asimp

#JornalUnião

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