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Montagem será realizada na íntegra do original, dividida em quatro grandes atos. No total, serão 24 coreografias de balé clássico e outras três danças contemporâneas adaptadas

Há 29 anos, a Escola Municipal de Dança de Londrina (EMD) realiza um evento audacioso: reunir centenas de alunos de diferentes idades e níveis de balé no mesmo palco para uma apresentação de encerramento das atividades do ano letivo. Mas não se trata apenas de um evento para amigos e familiares, mas de um espetáculo digno de grandes companhias, cuja montagem reúne figurinos exclusivos, cenários desenvolvidos por artistas locais e bailarinos (alunos que vão do pré-balé ao 8º ano e participação de profissionais). Este ano, a comemoração vai ser igualmente grandiosa, quando mais de 200 alunos – representando espanholas e ciganos – contarão a história de amor proibido do “Balé Dom Quixote”, um clássico do chamado “ballet de repertório”. As apresentações acontecem entre os dias 01 e 04 de dezembro, às 20h, e também dia 04, às 16h (balé infantil), no Teatro Ouro Verde. A produção é feita de forma independente, custeada com a ajuda dos pais dos alunos.

Baseado no livro clássico Dom Quixote de La Mancha, de Miguel Cervantes, o Balé Dom Quixote teve sua primeira adaptação para o balé em 1740, na Áustria, por Franz Hilverding, depois com Jean Georges Noverre, em 1768, também em Viena, com música de Josef Starzer. Desde então, o romance tem sido representado de diversas formas e linguagens artísticas em todo o mundo. Já em 1869, o Ballet Imperial, no Teatro Bolshoi, estreou uma das mais conhecidas montagens de balé, com a coreografia de Marius Petipa e música de Ludwig Minkus, em Moscou, na Rússia. Essa é, justamente, a versão na qual a EMD preparou sua releitura para contar as aventuras de Dom Quixote e de Sancho Pança em meio ao romance da jovem Kitri com o barbeiro Basílio. A característica principal do espetáculo são os traços hispânicos, com cavaleiros animados e espevitadas senhoritas.

A montagem em questão, segundo Luciana Lupi, coordenadora pedagógica da EMD e diretora geral do espetáculo, é considerada “ballet de repertório”, um espetáculo clássico que conta uma história por meio de coreografias divididas em atos, ou cenas, que ajudam a construir a linha temporal da narrativa, característica similar às peças de teatro. “Nossa montagem será realizada na íntegra a original, divida em quatro grandes atos. No total, serão 24 coreografias de balé clássico e outras três danças contemporâneas adaptadas à montagem.” Um dos momentos mais importantes nesse balé é o Grand Pas De Deux, com os personagens Kitri e Basílio, que já foram interpretados por grandes bailarinos da história do balé em todo o mundo. “Dentre os alunos da escola, temos cinco formandas que farão várias participações, além de outros personagens.” A direção artística é de Marciano Boletti.

Conforme a coordenadora, a preparação para este grande espetáculo começa no início do ano letivo, quando a história da montagem, bem como o estilo do espetáculo e técnicas são ensinadas de acordo com o nível de cada turma e bagagem acumulada. “Desde o início do ano, os alunos já têm contato com o que vem pela frente e as técnicas que serão utilizadas na montagem. Fechar o ano com um espetáculo como esse é uma forma de colocarem em prática de forma artística o que aprenderam em sala de aula”, diz, completando que, participam alunos da unidade Centro (sede) e da unidade Norte. Além dos alunos, haverá participação especial do bailarino Matheus Nemoto, que integra o corpo profissional do Ballet de Londrina e já foi aluno da EMD, depois de ser descoberto pelo extinto projeto Faces, que era realizado em escolas públicas da periferia de Londrina.

A história

Dom Quixote, seguido de seu fiel escudeiro Sancho Pança está em busca de Dulcinea, sua amada que surgiu em seus sonhos. Chegando em Sevilha, ele conhece Kitri – uma bela jovem prometida em casamento ao nobre Gamache – e a confunde com sua amada. Kitri e seu amado Basílio, seguindo os conselhos de Espada e Mercedes, acompanham Dom Quixote e Sancho Pança até um acampamento cigano, onde permanecem. Ao chegar, Dom Quixote luta contra moinhos de vento pensando serem gigantes que ameaçam a segurança de Dulcinea. Depois cai em um sono profundo e sonha com moças dentre as quais, Kitri simboliza Dulcinea. Lorenzo, o pai de Kitri, a encontra e força a jovem a casar-se com Gamache. Basílio finge cometer suicídio e Kitri pede que Dom Quixote convença seu pai a deixá-la se casar com o cadáver. Depois de receberem o consentimento, Basílio “ressuscita” e agradece, ao lado de Dom Quixote, por Lorenzo e Gamache terem aceitado o amor dos jovens. O casamento acontece e Dom Quixote se despede, para continuar sua aventura em busca da amada de seus sonhos.

Marian Trigueiros/Asimp

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