Digite pelo menos 3 caracteres para uma busca eficiente.

 “Kwarahy Tazyr” manifesta o percurso e constância dos povos originários no Brasil de 2022, revelando o paradoxo de seus territórios que, hoje, são ocupados por favelas e paisagens urbanas. Nesta sexta, "Minha Voz" e "Ancestralizou (interlúdio)" chegam ao YouTube conectando-se, também, com o Dia da Amazônia

O premiado e elogiado “Kwarahy Tazyr”, primeiro disco completo de Kaê Guajajara, divulgado em 2021, ganha agora uma nova camada de compreensão a partir do seu lançamento em forma de álbum visual. Produzido com smartphones, por criadores indígenas do selo AZURUHU, o projeto inaugura uma nova fase na carreira da cantora, artivista, compositora, escritora e atriz. Para esse trabalho, ela também assume o papel de roteirista, juntamente com Kandu Puri, que é responsável pela direção. A estética apresentada ganha forma no paradoxo de territórios indígenas, hoje ocupados por favelas e paisagens urbanas.

Divulgado em estreias semanais, programadas para todas as sextas-feiras até 09/09, este é o primeiro registro do tipo, estrelado por uma artista indígena, na história da música brasileira. A primeira faixa retratada, “Minha Missão”, foi ao ar em julho. Desde então, "Meu Respirar", "Home", "Sol em Leão", "Amor Indígena" e "Filha da Terra" já foram disponibilizadas ao público.

Hoje, dia 02/09, um duplo lançamento: às 12h, "Minha Voz". Nessa, o preço da ignorância e do preconceito em uma sociedade normativa é retratado como uma prece por cura dentro de uma realidade que insiste em promover o apagamento das culturas originárias, orquestrado em um grande plano pelos colonizadores. Um pouco depois, às 14h, "Ancestralizou (interlúdio)" sonha transitando entre os problemas e as consequências causadas pela colonização. Aqui, Kaê busca caminhos para sair deste ciclo.

 “A construção da narrativa do álbum visual está sob o realismo do que significa ser indígena no Brasil de 2022, particularmente no campo de invisibilidade e apagamento, onde ser um corpo indígena na favela ou em contexto urbano parece não ser possível, sendo esta distinção historicamente articulada pela colonização para romper forças coletivas. A colonização invade corpos, espíritos e pensamentos de todos que estão no Brasil, independente de etnia ou território, sendo indígena ou não. Aonde estão hoje e como vivem os povos indígenas perseguidos, expulsos ou que reivindicam aos legisladores 1 centímetro de terra demarcada?”, questiona Kaê.

Engajadora da Música Popular Originária (MPO) e nascida em Mirinzal, no Estado do Maranhão, Kaê Guajajara se mudou para o complexo de favelas da Maré, no Rio de Janeiro, ainda criança. Teve sua vida marcada por preconceitos e racismo por conta de seus traços e origem. Mais que uma expressão artística, ela vê na música uma forma de resistir e se manifestar contra o silenciamento dos povos originários imposto pelos colonizadores e perpetuado até hoje pelos seus descendentes.

 “Kwarahy Tazyr” significa “Filha do Sol” em zeeg’ete, língua do povo indigena Guajajara, e oferece uma nova perspectiva sobre a colonização a partir de composições originadas dos sonhos de Kaê - uma técnica ancestral de se receber os cantos. A artista aborda em suas composições uma realidade que vai muito além do noticiário e das lutas dos povos aldeados pela demarcação de terras. Aqui, ganha protagonismo a vivência daqueles que cresceram sem terra por conta do conflito com invasores e se exilaram nas favelas das capitais brasileiras ou mesmo que já nasceram nelas por terem suas gerações separadas pela colonização.

O álbum está disponível para streaming nas principais plataformas e Kaê Guajajara prepara uma turnê com patrocínio do Edital Natura Musical. Para abrir os caminhos dessa circulação, Recife recebe a cantora, no Teatro do Parque, dia 09/09. Na sequência, já em São Luís, artista ocupa a Casa d'Arte no sábado, 10/09, e Chão SLZ no domingo, 11/09. Em Manaus, a agenda acontece 16/09 no Casarão de Ideias e 18/09 no Te Encontro na Barroso. Em cada apresentação, um artista local será convidado por Kaê Guajajara. Novas datas serão anunciadas, ainda este ano, no Rio de Janeiro e em São Paulo.

A jornada de Kaê Guajajara em Kwarahy Tazyr alcança uma conexão aos estados de vigília e onírico, mundos que se conectam, e neles podem despertar o criar de um mundo novo, necessário e urgente, voltado ao bem viver coletivo. Uýra Sodoma, a árvore que caminha, partilha com Kaê os caminhos da sutileza e cooperação para se estar neste plano.

Acompanhe todos os lançamentos aqui: https://bit.ly/3BWFmdI

Yasmim Bianco/Asimp

#JornalUnião

Utilizamos cookies e coletamos dados de navegação para fornecer uma melhor experiência para nossos usuários. Para saber mais os dados que coletamos, consulte nossa política de privacidade. Ao continuar navegando no site, você concorda integralmente com os termos desta política.