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Programação do Sarau Artístico traz ao público shows de circo, hip hop, roda de samba, palco aberto e outras atrações

Amanhã (6), a Concha Artística de Londrina recebe o último evento da quarta temporada do Projeto Brisa. Idealizado pela Funcart – Fundação Cultura Artística de Londrina e com o com o patrocínio da Secretaria Municipal da Cultura, por meio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic), e apoio da Secretaria Municipal de Assistência Social e do Centro POP, o Brisa vem ocorrendo desde dezembro do ano passado, trazendo para o seu público-alvo – a população em situação de rua, espetáculos de dança, circo, música e teatro, oficina de formação em técnicas de palco e, talvez o mais importante, a oportunidade de expressão e escuta às pessoas geralmente invisibilizadas e marginalizadas. A missão do Projeto Brisa sempre foi a de incentivar a produção e a fruição da cultura especialmente junto à população em situação de rua.

A programação do último Sarau Artístico começa às 17h com a abertura oficial e logo depois, às 17h15, virá o Show de Variedades com a Hiber Circus, que apresenta um espetáculo pautado nas técnicas circenses de manipulação de objetos e equilíbrios, acrobacias de solo e aéreas, expressão corporal, jogos teatrais e palhaçaria. Às 18h é a vez da MC Cleópatra, com um show de hip hop com referências no rap nacional e no samba de raiz, manifestadas em suas palavras e batidas do BoomBap. Depois vem a rapper Luli Rodrigues com o show “Vocês vão ouvir minha voz”, um trabalho musical autoral dentro do hip-hop com letras que falam de amor, progresso, superação e fé.

Prevista para às 19h15, a cantora Cecília Bandeira acompanhada do Samba do Sereno encerra a programação artística, trazendo para o Sarau uma típica Roda de Samba que celebrar um dos gêneros musicais mais encantadores da música brasileira com um repertório de clássicos.

Toda a programação é intercalada pelos momentos do “Palco Aberto”, quando o microfone fica à disposição do público para suas próprias manifestações, sejam elas artísticas ou não. Esse é um dos pontos altos de todo Sarau Artístico do Projeto Brisa justamente por ampliar a voz de quem está em situação de rua, como afirma Silvio Ribeiro, coordenador do Projeto: “Sempre é um momento diferenciado para as pessoas em situação de rua. No Sarau na Casa do Bom Samaritano, por exemplo, eles se empolgaram na hora do microfone aberto, contando coisas da vida, declamando poemas, cantando, oferecendo e pedindo músicas que trazem lembranças importantes. Isso foi muito satisfatório para mim; saber que de alguma forma a arte é um canal de expressão, mesmo para aqueles que a sociedade acabou marginalizando”, diz. O “Palco Aberto” representa também a reaproximação do Brisa e do seu público depois da pandemia que obrigou o projeto a acontecer de outra forma.

O Brisa, continua o coordenador, é um momento que ganha um significado principalmente pelo formato dos Saraus Artísticos. “Um instante em que as pessoas tem contato com o fazer artístico e se propõem a criar arte de alguma forma. Eu entendo que para quem está na rua, todas as demandas são extremamente mais importantes. O frio, a fome, a sensação de abandono que é muito grande, mesmo alguns deles vivendo em grupos. Somos conscientes que o Brisa jamais vai suprir essas necessidades, mas ele pode ser uma porta para a expressão dos próprios sentimentos. Ao longos desses meses, vimos nosso público dançando debaixo de chuva na Praça da Bandeira e escolhendo músicas que mexiam com as lembranças de vida. A arte ajuda a elaborar toda essa condição a partir das próprias emoções”, analisa. “A arte e a cultura são sempre importantes. Temos que lembrar que o Brisa procura preencher uma lacuna constitucional, afinal todo cidadão tem direito à cultura, a participar da cultura da sua cidade, seu estado e do seu país. A arte e a cultura produzida em Londrina dificilmente chega até essas pessoas que estão vivendo em situação de rua e o Brisa busca solucionar essa questão de alguma forma, mesmo que com pequenas ações. Quem sabe daí não surge um novo caminho de vida, com um pouco mais de qualidade?”, diz Ribeiro.

O Projeto Brisa nasceu da vontade da Secretaria Municipal de Assistência Social de incluir e facilitar o acesso das pessoas que vivem em situação de rua à cultura, em uma tentativa de promover a integração deles com o conjunto da sociedade em um momento privilegiado, com a cultura intermediando esta relação.  A primeira edição ocorreu entre agosto de 2018 e maio de 2019. “Com o Brisa, o trabalho de assistência às pessoas em situação de rua vai além do atendimento às demandas básicas. A realização das atividades é importante para devolver o senso de cidadania para estas pessoas, promovendo o bem-estar, que passa pelo direito constitucional à cultura. Garantir o direito à arte, através do Brisa, é um pequeno passo diante de tantas outras coisas que precisam ser realizadas para que essas pessoas sejam mais respeitadas”, comenta.

Ascom/ Projeto Brisa

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