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Com entrada gratuita, escritor apresenta aula-espetáculo em Jacarezinho, Londrina e Ortigueira. Trabalho vasculha canções e histórias orais formadoras do Brasil em perspectiva subjetiva 

Após excursionar por oito municípios, o escritor e ator Renato Forin Jr. finaliza a turnê paranaense de sua aula-espetáculo “Costuras poéticas pelo fio da voz” em Jacarezinho e Ortigueira, nos dias 24 e 31 de agosto, respectivamente, e faz apresentação única em Londrina neste sábado, 26, às 17 horas, no Sesc Cadeião Cultural (Rua Sergipe, 52). Esta integra as comemorações de inauguração do Museu do Café, prédio histórico contíguo ao Sesc. Já as outras duas apresentações fecham o projeto aprovado no Programa de Fomento e Incentivo à Cultura (PROFICE), da Secretaria de Estado da Cultura e Governo do Estado do Paraná, com apoio exclusivo da Copel: em Jacarezinho, na quinta (24), às 19h30, no Auditório CCHE/CLCA da UENP; em Ortigueira, na quinta seguinte (31), às 19 horas, no Centro Cultural Queimadas. A retirada de ingressos é sempre a partir de uma hora antes do início nas bilheterias de cada espaço.

 “Costuras poéticas pelo fio da voz” é um misto de palestra, recital poético e show musical em que o autor mostra como a cultura letrada em fusão com a voz forjou formas artísticas visionárias no país. Em perspectiva subjetiva, Renato parte de seu livro-CD “Samba de uma noite de verão”, agraciado com o Prêmio Jabuti no ano de 2017, bem como de outros textos e canções autorais, e costura-os a excertos de escritores e compositores brasileiros, africanos e europeus. Pratica, assim, o mesmo exercício dos contadores de histórias ancestrais – como os griôs africanos e os rapsodos gregos –, viajantes que conheciam um vasto repertório poético e cerziam diferentes textos-tecidos, ao modo de uma colcha de retalhos, a cada apresentação.

A aula-espetáculo nasceu a partir dos convites para palestras que Forin Jr. recebeu de escolas depois da premiação. “Eu chegava na sala de aula e percebia uma ideia cristalizada sobre a literatura, como se ela fosse sinônimo do que é erudito, do que está apartado da vida e restrito ao livro. A literatura nasce na voz e permanece assim em boa parte da trajetória do Ocidente. Quando falamos do Brasil, os fenômenos culturais mais potentes também são orais ou misturam a letra à performance, como é o caso da canção. Esta não é uma história só da nação, enquanto entidade abstrata, mas a história pessoal de todos nós, da maioria dos brasileiros, cujos lares, em geral, têm poucos livros, mas são atravessados de outras formas poéticas”, explica. 

Ao longo da aula, destacam-se temas como a inventividade popular, a origem do samba, a resistência da cultura da diáspora e o signo da mistura como leitura sociológica e literária do Brasil. “Samba de uma noite de verão”, livro de base, reescreve o “Sonho de uma noite de verão”, de Shakespeare, à brasileira, ou seja, com o propósito de construir uma metáfora da formação do país em perspectiva crítica. Assim, além de personagens típicos do nosso imaginário literário, como os malandros, os líderes sociais, os trabalhadores de várias regiões, os especuladores imobiliários, agrega à fábula deidades da mitologia dos orixás e lendas da cosmogonia ameríndia. As três matrizes que confluem na formação do país, ora de forma amistosa e ora de modo violento, estão representadas na aula-espetáculo.  

Turnê

Desde junho, Renato já percorreu com o trabalho as cidades paranaenses de Dois Vizinhos, Palmas, Quedas do Iguaçu, Guaíra, Rio Negro, Antonina, Irati e Astorga. Esta turnê, com apoio exclusivo da Copel por meio do PROFICE, será concluída com as apresentações de Jacarezinho e Ortigueira nos próximos dias. “Tem sido uma experiência muito rica e restauradora perceber que, neste tempo de tantas dispersões, o público ainda permanece por quase duas horas ouvindo poesia e música, pensando sobre questões fundamentais da nossa formação étnico-cultural, e que precisam ser lembradas para chegarmos a alguma justiça social e reparação histórica. Sem contar a troca de experiências e informações nos momentos após a aula. Para mim, cada destino é também um aprendizado sobre humanismo e diversidade”, conta.   

 “Costuras poéticas pelo fio da voz” tem classificação indicativa livre e pode ser acompanhado pelo público em geral, especialmente professores do ensino básico, educadores e estudantes de Letras ou outras disciplinas artísticas. Um programa impresso distribuído gratuitamente na portaria serve como material de apoio no contexto didático.  O trabalho tem direção de produção de Danieli Pereira e técnica de Ricardo Grings. As bases musicais são de Gustavo Gorla e a preparação vocal é de Paulo Vitor Poloni.  

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