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Com a proposta de dar voz e luz à história de vida de sete mulheres descendentes de imigrantes italianos que contribuíram de diversas maneiras para a sociedade londrinense, o projeto “Os Bravissimi na Terra Roxa” realiza nesta terça-feira (29), às 19 horas, no Museu Histórico de Londrina, o lançamento do catálogo bilíngue “O Chamado do Sangue” (‘Il Richiamo del Sangue’), com a participação especial do Coro Tempos Dourados, sob regência de Regina Balan.

Versado para o italiano pela tradutora Vanessa Christina Araújo, a publicação teve organização de Álvaro Perini Canholi, também responsável pela produção do projeto, e Aguinaldo Moreira de Souza. O projeto gráfico foi de Pablo Blanco.

Realizado por meio do patrocínio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura de Londrina (Promic), da Prefeitura de Londrina, a proposta teve como proponente a Associação de Cultura Italiana I Bravissimi e é resultado de quase três anos de trabalho.

A iniciativa também inclui uma mostra virtual com imagens e depoimentos das mulheres contempladas pelo projeto que pode ser acessada pelo site http://chamadodosangue.com.br/. O pré-lançamento desta mostra foi realizado no dia 22 de setembro, no Espaço Cultural AML.

Amélia Tozzetti (in memoriam) entrevista Marina Zuleika Scalassara – Foto: Divulgação

Com 80 páginas, o catálogo terá, nesta primeira edição, 500 exemplares, que serão distribuídos em instituições de estudo e guarda da memória no Brasil e na Itália. “Esse material impresso reforça a nossa proposta de resgatar de forma autêntica as vozes dessas mulheres, depoimentos repletos de representatividade. Assim, busca-se trazer ao público um trabalho que, no caminho da preservação de bens e valores culturais, renderá admiráveis frutos, já que a história da presença italiana em Londrina e no norte do Paraná não se encontra registrada em outros suportes que não o das narrativas de memorialistas de nossa terra”, afirmou o produtor do projeto e um dos organizadores do catálogo, Álvaro Perini Canholi.

“Esta publicação é um chamado: lança luz às mulheres pertencentes a diversas famílias italianas que se estabeleceram nos limites norte-paranaenses e visa trazer à tona suas recordações e memórias, preenchendo lacunas que a história oficial deixou de lado”, completou Canholi.

De acordo com o  Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 1 milhão de pessoas italianas vieram para o Brasil entre 1876 e 1920. Em Londrina, na década de 1930, imigrantes e descendentes italianos constituíam o maior número de imigrantes no município, totalizando mais de 600 indivíduos.

Sobre o projeto – Lançado em 10 de dezembro de 2019, o projeto inicialmente previa uma exposição física no Museu Histórico de Londrina, que seria levantada por meio do resgate de acervos familiares inéditos que representassem o fazer profissional dos imigrantes italianos e seus descendentes em solo londrinense. Entretanto, devido à pandemia, o trabalho de coleta desses materiais foi sendo adiado, ao mesmo tempo em que a pesquisa histórica e a análise de acervos ganhou fôlego, revelando algo que alterou o foco da proposta: havia um latente silenciamento em relação à figura da mulher nos registros históricos, o que, em união a entrevistas que foram realizadas com familiares (descendentes diretas ou que construíram laços muitos fortes com italianas e italianos) acabou por indicar o papel fundamental dessas mulheres não só na manutenção da família, mas na construção da Londrina que hoje conhecemos.

A partir desta nova percepção, seguindo protocolos que visavam garantir a saúde de todas as pessoas envolvidas no projeto, surgiu a proposta de realizar uma pesquisa que se converteria em registros culturais que resgatam e celebram a história de sete mulheres pertencentes a famílias italianas da cidade por meio de entrevistas virtuais e/ou on-line, conduzidas pela historiadora Taiane Micali.

Com esses produtos culturais (exposição virtual e catálogo), deu-se voz e imagem a momentos e inspirações pertencentes às histórias de sete londrinenses: a dentista e administradora Julieta Caminhoto Rotondo, a professora e doceira Valderês Pereira Penteado, a professora e museóloga Marina Zuleika Scalassara, a professora e historiadora Amélia Tozzetti Nogueira (in memoriam) – cujo depoimento já integrava arquivo do Museu Histórico de Londrina – a costureira e agricultora Otildes de Paula Budeu, a engenheira e empresária Cristiana Veronesi e a atriz e produtora cultural Melissa Andreazza, conhecida em Londrina como Mel Campus.

Vale pontuar que, no decorrer do processo de realização do projeto, uma das mulheres contempladas faleceu: Amélia Tozzeti. Além disso, também ocorreram, neste período, a passagem do historiador Jorge Romanello, que muito contribuiu para a realização da pesquisa histórica, e o falecimento de Silvandira Ferraresi, antes mesmo do início das entrevistas, inviabilizando sua participação.

O projeto contou ainda com a produção executiva da PÁ! Artística, a parceria do Museu Histórico de Londrina e com os seguintes apoiadores: Espaço AML Cultural, Espaço Villa Rica, Hotel Crystal, Restaurante Brasiliano, Super Muffato, Estúdio Musical Flauta e Fole, Midiograf, Comitato degli italiani all’estero – COM.IT.ES (Circunscrição Paraná & Santa Catarina) e Vice-Consulado

Ana Paula Nascimento/Asimp

#JornalUnião

A produtora cultural londrinense Melissa Andrezza, a Mel Campus, na Itália, onde reside atualmente – Foto: Acervo pessoal

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