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Projeto resgata memórias de mulheres descendentes de italianas que contribuíram para a formação de Londrina; lançamento de mostra virtual será hoje, em evento para convidados

“Ela não trabalhava, só cuidava da casa e dos filhos.” Partindo desta fala tão corriqueira e legitimada na sociedade predominante patriarcalem que ainda vivemos, pode-se vislumbrar o teor dos depoimentos femininos que fazem parte dos registros audiovisuaisda exposição virtual “O Chamado do Sangue”, que será lançada hoje, às 19 horas, no Espaço Cultural da Associação Médica de Londrina, exclusivo para convidados. A exposição faz parte do projeto “Os Bravissimi na Terra Roxa”, que teve como proposta resgatar a memória de sete mulheres italianas ou descendentes destasimigrantes que contribuíram de diversas maneiras para a sociedade londrinense.Realizado por meio do patrocínio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura de Londrina (PROMIC), o projeto teve como proponente a Associação de Cultura Italiana I Bravissimie é resultado de quase três anos de trabalho, já que a proposta precisou passar por readaptações por ter sido atravessada pelo contexto pandêmico. A experiência virtual poderá ser acessada a partir de hoje pelo site ibravissimilondrina.org.

Como uma das fundadoras da I Bravissimi- e hoje diretora executiva da Associação- Hylea Ferraz afirma que desde a época em que cursava graduação em História, em 1989, percebia que havia uma lacuna nos projetos de preservação da nossa história. “Faltava atentar às riquezas das narrativas dos imigrantes que vieram para o Norte do Paraná. Também pude perceber que elas, as imigrantes e suas descendentes, são as verdadeiras protagonistas dessa história, na maioria das vezes distantes dos arquivos oficiais, já que estes ainda repousam sob um modelo patriarcal”, afirma.

Lançado em 10 de dezembro de 2019, o projeto inicialmente previa uma exposição física no Museu Histórico de Londrina, que seria levantada por meio do resgate de acervos familiares inéditos que representassem o fazer profissional dos imigrantes italianos e seus descendentes em solo londrinense. Entretanto, devido à pandemia, o trabalho de coleta desses materiais foi sendo adiado, ao mesmo tempo em que a pesquisa histórica e a análise de acervos foram revelando algo que alterou o foco da proposta: havia um latente silenciamento em relação à figura da mulher nos registros históricos, o que, em união a entrevistas que foram realizadas com familiares (descendentes diretas ou que construíram laços muitos fortes com italianas e italianos) acabou por indicar o papel fundamental dessas mulheres não só na manutenção da família, mas na construção da Londrina que hoje conhecemos.

A partir desta nova percepção, seguindo protocolos que visavam garantir a saúde de todas as pessoas envolvidas no projeto, surgiu a proposta de realizar uma pesquisa que se converteria em registros culturais queresgatam e celebram a históriade sete mulheres italianas ou suas descendentes por meio de entrevistas virtuais e/ou on-line, conduzidas pela historiadora Taiane Micali e pelo historiador Luís Gustavo Cavalheiro Silva.O projeto ainda prevê a publicação dos resultados da pesquisa na forma de um catálogo bilíngue que será lançado em breve e distribuído em instituições de estudos e guarda da memória no Brasil e Itália.

Com esses produtos culturais, deu-se voz e imagem a momentos e inspirações das histórias de sete mulhereslondrinenses: adentista e administradora Julieta Caminhoto Rotondo, a professora e doceira Valderês Pereira Penteado, a professora e museóloga Marina Zuleika Scalassara, a professora e historiadora Amélia Tozzetti Nogueira (in memoriam) – cujo depoimento já integrava arquivo do Museu Histórico de Londrina –,a costureira e agricultora Otildes de Paula Budeu, a engenheira e empresária Cristiana Veronesi e a atriz e produtora cultural Melissa Andreazza, conhecida em Londrina como Mel Campus. Vale pontuar que no decorrer do processo de realização do projeto, uma das mulherescontempladas faleceu: Amélia Tozzeti.Além disso, também ocorreram neste período a passagem do historiador Jorge Romanello, que muito contribuiu para a realização da pesquisa histórica e o falecimento deSilvandira Ferraresiantes mesmo do início das entrevistas, inviabilizando sua participação prevista no projeto.

O projeto conta ainda com a produção de Álvaro Canholi, da PÁ! Artística, a parceria do Museu Histórico de Londrina e os seguintes apoiadores: Espaço AML Cultural, Espaço Villa Rica, Hotel Crystal, Restaurante Brasiliano, Super Muffato, Estúdio Musical Flauta e Fole,Midiograf,Comitato degli italiani all’estero – COM.IT.ES (Circunscrição Paraná & Santa Catarina) eVice-Consulado Honorário da Itália.

Saiba mais:

De acordo com IBGE, mais de 1 milhão de pessoas italianas vieram para o Brasil entre 1876 e 1920.

Em Londrina, na década de 1930, imigrantes e descendentes italianos constituíam o maior número de imigrantes no município, totalizando mais de 600 indivíduos.

#JornalUnião

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Casal Caminhoto (Crédito Arquivo Pessoal)
A dentista e administradora Julieta Caminhoto Rotondo durante entrevista com a historiadora Taiane Micali (Crédito-Divulgação)
Família da professora e doceira Valderês Pereira Penteado (Crédito Arquivo Pessoal)

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