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O carnaval está chegando, e com ele a oportunidade de descanso para muitos e de comemoração e festejos para outras pessoas.

Um dos questionamentos que se faz, neste tempo, envolve os excessos, em especial, o excesso no uso de álcool e outras substâncias químicas, como drogas de diversos tipos.

O uso de álcool é uma prática comum, uma forma de convivência em festas como essa, principalmente entre os jovens, porque se convenciona os benefícios para uma desinibição, relaxamento e ampliação de uma euforia, julgando assim estarem mais prontos para aproveitar ao máximo os dias de folia.

Ocorre que, para muitos jovens, o efeito psicoativo do álcool já não é tão interessante e estimulante, o que faz com que partam para outros tipos de substância, como anfetaminas, maconha, cocaína, MD, ecstasy e outras, especialmente, porque muitos jovens experimentam, com o álcool, uma falta de controle e de memória, o que, segundo eles, os impedem de “aproveitar” melhor as festas.

A busca pela euforia

Aí temos o começo de um caminho que pode não ter volta, pois muitas pessoas podem ter uma falsa sensação de boa tolerância às substâncias que as fazem consumir cada vez mais para que se tenha a mesma euforia ou a mesma desinibição, e não notar quanto atrelam felicidade, prazer e bem-estar nesta e em outras festas, necessitando de substâncias lícitas ou não.

Ainda temos outra realidade: nem sempre se sabe o potencial das drogas no organismo, pois isso depende de variáveis muito individuais. Alguns transtornos emocionais como a esquizofrenia podem ser como que ativados mediante o uso daquilo que se chama de a “inofensiva” maconha, e podem ser irreversíveis. Especialmente os jovens, pois estes têm uma fase de desenvolvimento neurológico; e, no caso do uso de drogas, pode ser um período crucial no ciclo vital para o início do uso dessas substâncias, seja como mera experimentação ou como consumo ocasional, indevido ou abusivo. A literatura e os estudos na medicina e psicologia são claros ao afirmar que não há qualquer tipo de ganho no uso de substâncias. Sempre estaremos lidando com risco e perigo.

Por risco entendemos uma consequência da livre e consciente decisão de se expor a uma situação na qual se busca a realização de um bem ou de um desejo, em cujo percurso se inclui a possibilidade de perda ou ferimento físico, material ou psicológico. Perigo diz respeito a ameaças que rondam a busca dos resultados desejados. Risco constitui uma estimativa acerca do perigo.

As consequências do uso de álcool e drogas

Seja por risco ou perigo, é importante estarmos atentos aos efeitos cumulativos das substâncias tóxicas e sua relação com a vulnerabilidade do indivíduo. De um lado, sabe-se que a probabilidade de desenvolvimento de determinado distúrbio aumenta em função do número, da duração e da “toxicidade” dos fatores de risco envolvidos (Coie et al., 1993)

O envolvimento grupal, ou seja, os grupos com os quais se tem relacionamento, tem sido visto como um dos maiores prenúncios do uso de substâncias. Portanto, é válido e muito válido entender que o grupo sim, pode influenciar pessoas mais vulneráveis ou passíveis desse tipo de incentivo e encorajamento, claro que, com consequências negativas ou até mesmo irreversíveis.

Além de todos esses prejuízos listados, vale pensarmos também nas consequências, no que vem depois, naquilo que, após um gesto que parece inocente, pode gerar violência, acidentes, internações, relações afetivas desregradas e até mesmo abusivas ou violentas, enfim, um saldo que, no final, não é nada positivo.

Tenha cuidado com a sua liberdade

A liberdade que possuímos deve nos fazer conscientes daquilo que fazemos conosco, dos limites que extrapolamos, do mal que corremos e das possibilidades negativas que podemos gerar a nós mesmos e ao outro. Mais do que o uso, refletimos sobre a relação do homem com a necessidade da produção imediata de prazer, de um grau altamente desejado de independência do mundo externo, usando de dependências que o levam ao ‘amortecimento de preocupações’, distanciar-se da realidade e encontrar um refúgio num mundo próprio.

Vivamos a alegria de viver bem a vida que temos, com bons amigos, boas práticas, bons hábitos e consciência do valor da nossa existência.

Elaine Ribeiro dos Santos é Psicóloga Clínica pela Universidade de São Paulo (USP). Colaboradora da Comunidade Canção Nova, reúne 20 anos de experiência profissional, atuando nas cidades de São Paulo, Lorena e Cachoeira Paulista, além do atendimento on-line para o Brasil e o Exterior. Dentre suas especializações estão Terapia Cognitivo-Comportamental, Neuropsicologia e Psicologia Organizacional. Instagram:  @elaineribeiro_psicologa

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