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Zeladoria urbana e Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos são algumas das atividades que auxiliam a manter as cidades limpas e com menos riscos de epidemias

O ano de 2024 começou com mais uma preocupação na área da saúde. Desta vez, um problema recorrente está ainda pior - a dengue. O Brasil já registrou mais de 524 mil casos da doença neste início de ano, conforme estimativa do Ministério da Saúde, e 84 mortes. Ainda de acordo com o Ministério, o controle do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença, é o principal método para a prevenção da dengue e redução dos infectados.

Para ajudar neste combate, pode-se destacar o gerenciamento correto de resíduos sólidos, atividade feita por profissionais ligados às Engenharias, Agronomia e Geociências, que podem atuar em diversas áreas que são diretamente ligadas a medidas preventivas, como explica José Roberto Francisco Behrend, Conselheiro do Conselho Regional de Enenharia E Agronomia do Paraná (Crea-PR) e Coordenador da Câmara Especializada de Agrimensura e Engenharia de Segurança do Trabalho (Ceaest).

“No âmbito da zeladoria urbana, estes profissionais são responsáveis por planejar e gerenciar a manutenção de espaços públicos, contribuindo para a construção de uma paisagem urbana bem cuidada. Espaços públicos adequadamente mantidos não apenas promovem a saúde pública, mas também influenciam positivamente a percepção de cuidado junto à população”, detalha José Roberto.

O gerenciamento adequado de resíduos sólidos, pontua Behrend, está entre os papéis vinculados à zeladoria urbana da seguinte forma: “podemos, inclusive, definir o papel dos profissionais, enquanto gestores que atuam nas funções vinculadas ao serviço público de limpeza urbana, como de coleta de resíduos domiciliares, de resíduos recicláveis, além de serviços varrição. Ainda podemos destacar o papel dos profissionais que atuam na elaboração, implantação e operacionalização dos Planos de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS)”, diz Behrend.

“No contexto da epidemia de dengue, a contribuição dos Engenheiros, Agrônomos e profissionais das Geociências na elaboração e implementação desses planos é fundamental. Na fase de diagnóstico, durante a elaboração do PGRS, esses profissionais têm a oportunidade de identificar áreas como condições de geração, acondicionamento e destinação dos resíduos. Nesta fase, há uma grande sinergia entre o gerenciamento adequado dos resíduos, com a proteção contra a proliferação de mosquito, uma vez que a localização de depósitos inadequados de resíduos que podem se tornar criadouros”, explica.

A elaboração do PGRS, inclusive, já tem a obrigatoriedade legal estabelecida por meio da Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010). “O documento detalha como os resíduos devem ser gerenciados, incluindo desde a geração até a destinação final, com a participação ativa de responsáveis técnicos habilitados”, descreve o coordenador da CEAEST.

São vários os setores que devem ter o próprio PGRS, segundo Behrend. “Entre as atividades previstas em lei, estão as indústrias, estabelecimentos de saúde e empresas de construção civil. Também precisam apresentar PGRS comércios e serviços que produzem resíduos perigosos ou aqueles que embora não produzam resíduos perigosos, produzam resíduos em grande quantidade denominados ‘Grandes Geradores’, definidos por regulamentação local”, frisa.

Os benefícios desses planos vão além da preocupação com a destinação de resíduos. “Os PGRS podem incluir estratégias de educação ambiental para conscientizar a população sobre a importância de descartar corretamente os resíduos. Essa conscientização é essencial para evitar o descarte inadequado que pode contribuir para a epidemia”, comenta Behrend.

Além disso, “a implementação do PGRS pode incluir a promoção da coleta seletiva, permitindo a separação adequada dos resíduos. O tratamento adequado de resíduos recicláveis e não recicláveis contribui para reduzir a quantidade de material propenso a se tornar criadouro de mosquitos”, afirma o profissional.

Em outro ponto, “o PGRS estabelece protocolos para sua implantação e consequentemente o monitoramento da gestão de resíduos. Isso inclui a verificação das condições adequadas de gerenciamento até sua destinação final, garantindo que os resíduos não se acumulem de maneira inadequada, minimizando os riscos de proliferação de mosquitos”.

Rafael Henrique/Asimp

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