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Vereadoras cobram funcionamento 24 horas da Delegacia da Mulher e acompanhamento do caso por núcleo especializado do Tribunal de Justiça

A comoção gerada pelo assassinato da cabeleireira Cláudia Ferraz pelo namorado, no dia 7 de fevereiro, reacendeu discussões sobre a violência contra as mulheres e fragilidades que ainda existem no atendimento às vítimas na forma como os casos são tratados pela sociedade. O tema foi abordado em reunião de trabalho realizada ontem (16) na Câmara Municipal de Londrina (CML), sob a coordenação da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher e da Procuradoria Especial da Mulher do Legislativo, com a presença de lideranças, autoridades e amigos de Ferraz.

Do encontro saíram três encaminhamentos. Serão enviados ofícios à Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cevid) do Tribunal de Justiça do Paraná, solicitando apoio e acompanhamento do caso; e ao governador do estado e à Secretaria da Segurança Pública do Paraná, pedindo providências para que a Delegacia da Mulher passe a funcionar 24 horas e também aos finais de semana. Além disso, será organizada uma manifestação para pedir justiça no caso da cabeleireira.

A Delegacia da Mulher em Londrina conta com duas delegadas e funciona de segunda a sexta-feira, das 8h30 às 12 horas e das 14h às18h30. “A partir da Cláudia Ferraz conseguimos juntar essa força por tantas outras Cláudias. Vamos entregar o ofício em mãos ao governador Ratinho Júnior. Através das comissões, vamos elaborar esse ofício e irmos em caravana, com todas as entidades e mulheres que aqui estiveram presentes, para entregar ao nosso governador em mãos. Queremos que a nossa delegacia vire 24 horas, com local adequado e para que ofereça respaldo para que as mulheres se sintam acolhidas”, explicou a vereadora Daniele Ziober (PP), presidente da Comissão de Defesa dos Direitos das Mulheres. Além dela, participaram da reunião desta sexta as vereadoras Prof.ª Sonia Gimenez (PSB), procuradora especial da Mulher, Lenir de Assis (PT), Mara Boca Aberta (sem partido), Lu Oliveira (PL) e Prof.ª Flávia Cabral (PP), assim como a secretária municipal de Políticas para as Mulheres, Liange Doy Fernandes; e a presidente do Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres, Sueli Galhardi.

Segundo a procuradora especial da Mulher da Câmara, Prof.ª Sonia Gimenez, a reunião é um primeiro passo para uma grande mobilização. “Esse é um primeiro passo para nós estarmos ampliando as ações, para fortalecer esse pedido de novos cargos para a Delegacia da Mulher que venham suprir essa carência dos finais de semana”, disse. Gimenez lembra ainda que a lei federal nº 14.541/2023, sancionada no ano passado, determina o funcionamento ininterrupto dessas delegacias.

As mulheres presentes na reunião chamaram a atenção para o fato de que muitas vezes ocorre a tentativa de desconstruir a imagem da vítima, de forma a tentar culpabilizá-la pela violência sofrida. Segundo dados apresentados pela secretária da Mulher, Liange Fernandes, o Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CAM) atendeu, em 2023, 692 casos de violência doméstica e familiar, contra 467 em 2022. Do total de registros do ano passado, 473 foram novos casos e 147 foram casos recorrentes. O espaço presta acolhimento e atendimento humanizado às mulheres em situação de violência, oferecendo atendimento psicológico e social, bem como orientação e encaminhamentos jurídicos.

Marcela Campos/CMC

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