Digite pelo menos 3 caracteres para uma busca eficiente.

O deputado estadual Cobra Repórter (PSD) apresentou, ontem (02), um projeto de lei (PL), na Assembleia Legislativa do Paraná, para garantir um tratamento humanizado para mães e pais que tiverem a chamada perda gestacional. O projeto prevê cuidados que vão desde o apoio psicológico até a hora de sepultar o (a) filho (a).

“Perder um (a) filho (a) é a maior dor que uma pessoa pode ter na vida! Nada pode amenizar essa perda, mas acredito que acolher os pais com cuidado e atenção pode fazer a diferença em meio a um momento tão trágico”, destacou o deputado Cobra Repórter. O deputado ressalta que humanizar o acolhimento aos pais fará o Paraná ser destaque nacional em um tema que exige um posicionamento com maior rigor pelo Estado.

 “Atualmente, uma mãe diagnosticada com óbito fetal no processo de perda gestacional é internada na maternidade com outras mães e seus bebês cheios de vida. Muitas vezes ela passa por esse procedimento sozinha, sem poder ter ao seu lado um acompanhante de sua escolha para humanizar esse momento traumático. O sofrimento pela perda do (a) filho (a) tão esperado (a) vem acompanhado do choro de outros bebês, das perguntas frequentes de funcionários desinformados e, até mesmo, de outros pais se o seu bebê já nasceu, quando, na verdade, você está ali aguardando procedimento para segurar seu (sua) filho (a) morto nos braços”, lamentou o deputado Cobra Repórter.

Algumas localidades já têm se atentado para essa realidade. Recentemente, foi aprovada, em Curitiba, a Lei nº 16.068/2022 que estabelece proteção às mães em luto gestacional. No Estado do Rio Grande do Sul, a Lei nº 15.895/2022 estabelece procedimentos a serem adotados na perda gestacional, natimorto e neonatal nos serviços de saúde, públicos e privados.

Cuidados previstos no PL

O projeto estabelece procedimentos a serem adotados nos casos de perda gestacional espontânea, natimorto, perda neonatal, assim como em ocorrências de violências obstétricas, nos serviços públicos e privados de saúde. Ele também cria a “Semana de Conscientização e Orientação Sobre a Perda Gestacional e Violência Obstétrica”.

O artigo 3º define quais serão os cuidados oferecidos pela rede de saúde para os pais, tais como, por exemplo: o acompanhamento psicológico e social aos genitores; fornecer à genitora acomodação especial no ambiente hospitalar e demais estabelecimentos da rede de atenção à saúde de gestantes, separada das demais gestantes e puérperas; viabilizar e garantir a participação do genitor ou outro acompanhante de livre escolha da genitora, durante a retirada do feto.

Semana Estadual De Conscientização

No artigo 7º do PL, fica instituída a “Semana Estadual de Conscientização e Orientação Sobre a Perda Gestacional e Violência Obstétrica”, a ser realizada anualmente na semana completa, de segunda-feira a domingo, que integra o dia 15 de outubro (Dia Internacional da Conscientização da Perda Gestacional).

Entre os objetivos, estão: propiciar a discussão acerca da importância da proteção psicológica às famílias; promover palestras, seminários, campanhas, mobilizações e outras atividades; contribuir para melhoria da saúde mental das mulheres vítimas de violência obstétrica.

 ‘’Lei Para Sempre Luna’’

O projeto solicita que a Lei seja intitulada ‘’Lei Para Sempre Luna’’, sugestão advinda de Izabela Picello Decarlo Simão e do jornalista londrinense Fábio Leone Luiz Luporini. O PL é uma homenagem a mulheres paranaenses com histórias comoventes e exemplares:

- A senhora Izabela Picello Decarlo Simão que vivenciou as dores da perda de dois filhos. Primeiro, foi o Lucas, natimorto com 27 semanas de gestação (7 meses) em 2016 e a Luna, uma bebê prematura de 35 semanas, que nasceu bem, mas faleceu com 20 dias devido a uma infecção em 2022. Em ambos os casos, essa mãe presenciou e sofreu com o despreparo das equipes clínicas e administrativas diante do luto gestacional e neonatal;

- A senhora Franklein Zampoli que teve morte cerebral e estava grávida. Foi uma gravidez monitorada 24h, durante 123 dias pela equipe médica, que precisava manter o corpo da mãe funcionando para que os bebês pudessem se desenvolver.

Meire Bicudo e Veruska Barison/Asimp

#JornalUnião

Utilizamos cookies e coletamos dados de navegação para fornecer uma melhor experiência para nossos usuários. Para saber mais os dados que coletamos, consulte nossa política de privacidade. Ao continuar navegando no site, você concorda integralmente com os termos desta política.