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Números foram apresentados ontem (19) pelo diretor-geral brasileiro da Binacional, Enio Verri, em audiência na Comissão de Infraestrutura do Senado

A tarifa de energia da Itaipu Binacional, chamada de Custo Unitário dos Serviços de Eletricidade (Cuse), está hoje no menor patamar em 20 anos. De 2009 a 2021, o valor ficou congelado em US$ 22,60 kW. Em 2022, com a redução no pagamento da dívida para construção da usina, a queda foi de 8%, chegando a US$ 20,75 kW. Neste ano de 2023, na atual gestão da empresa, a tarifa foi fixada em US$ 16,71 kW, valor 26% menor ao praticado apenas dois anos antes.

Os dados foram apresentados ontem (19), em Brasília (DF), pelo diretor-geral brasileiro de Itaipu, Enio Verri, durante audiência na Comissão de Infraestrutura do Senado, atendendo requerimento do senador Esperidião Amin, de Santa Catarina. Verri foi convidado para falar sobre a composição da tarifa e as despesas de exploração, que incluem os gastos com a operação e a manutenção da usina, administração e investimentos em responsabilidade social e ambiental.

 “A Itaipu é uma empresa binacional e todas as nossas decisões são tomadas em consenso com o Paraguai. A queda no valor da tarifa de Itaipu foi fruto de muito diálogo, muita negociação, visto que o nosso sócio gostaria que o valor voltasse aos mesmos patamares praticados até 2021”, declarou. “Conseguimos baixar a tarifa e preservamos os investimentos”, reforçou.

O diretor demonstrou que, na média de preços apurados em leilões de energia elétrica, o custo da energia de Itaipu foi o terceiro mais barato do mercado, menor que os das Centrais Geradoras Hidrelétricas (CGHs), das Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) e de fontes como a solar fotovoltaica, biomassa, gás natural, carvão e óleo combustível.

Citou ainda que o valor médio pago pelos consumidores residenciais das regiões Sul (R$ 644/MWh) e Sudeste (R$ 720/MWh), maiores regiões cotistas da Itaipu, é menor que a média nacional (R$ 726/MWh), resultado para o qual Itaipu contribuiu. Considerando apenas a Enel SP (antiga Eletropaulo), o maior mercado cotista de Itaipu, a energia de Itaipu é menor que o custo médio do portifólio de contratos da distribuidora.

Ações ambientais

Verri enfatizou que Itaipu em 2023 contribui significativamente para a modicidade tarifária e ainda realiza investimentos em responsabilidade socioambiental, conforme preconiza a missão institucional da empresa: “Gerar energia elétrica de qualidade, com responsabilidade social e ambiental, contribuindo para o desenvolvimento sustentável no Brasil e no Paraguai”.

“É importante ressaltar que Itaipu não é apenas uma empresa de energia”, disse, citando a nota reversal 228, de 2005, trocada pelas chancelarias de Brasil e Paraguai, na qual as iniciativas da Itaipu no campo da responsabilidade social e ambiental devem estar inseridas como “componente permanente na atividade de geração de energia”.

Ainda de acordo com o diretor, o perfil institucional da Itaipu permitiu ações como o maior programa de reflorestamento do planeta feito por uma hidrelétrica (somente na margem brasileira, foram plantadas 24 milhões de mudas de árvores), a recuperação de nascentes e ações de proteção da flora e da fauna regionais. “A água é a matéria prima para geração de energia elétrica e temos o compromisso de preservar o reservatório e garantir a longevidade da usina.”

Como resultado, em 2015, a empresa recebeu o prêmio Water for Life da ONU-Água, como melhor prática de gestão dos recursos hídricos do mundo; em 2019, as áreas protegidas da Itaipu foram reconhecidas como zona-núcleo da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica (RBMA) pelo Programa “O Homem e a Biosfera” (MaB, na sigla em inglês) da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Grandes obras de infraestrutura para impulsionar o desenvolvimento de Brasil e Paraguai também foram financiadas com recursos da Itaipu, caso da Ponte da Integração Brasil – Paraguai; a Perimetral Leste (rodovia de 15 km que vai ligar a nova ponte à PR-277, no Paraná); a duplicação da Rodovia das Cataratas (BR-469), principal corredor turístico do Oeste do Paraná; a ampliação da pista do Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu (PR); e melhorias na Estrada Boiadeira (BR-487).

Mais que Energia

Seguindo as diretrizes do Governo Federal, a atual gestão ampliou a área de abrangência da Itaipu para todos os 399 municípios do Paraná e 35 do Mato Grosso do Sul. Um reflexo dessa decisão foi o lançamento do programa Itaipu Mais que Energia, no mês de agosto, em parceria com a Caixa Econômica Federal.

O Mais que Energia foi aprovado pelo Conselho de Administração da empresa para seleção de projetos de até R$ 2 milhões em quatro eixos temáticos: saneamento ambiental; energias renováveis; manejo integrado de água e solo; e obras sociais, comunitárias e de infraestrutura.

A iniciativa compreende uma área de 272 mil quilômetros quadrados e população de 11 milhões de pessoas somente no lado brasileiro. Municípios com menor IDH e menor arrecadação terão prioridade para a obtenção dos recursos.  “Desta forma, conseguimos atender a um número maior de municípios, com projetos que têm impacto positivo no meio ambiente, na vida útil do reservatório e na qualidade de vida da população”, afirmou Verri.

O diretor destacou também as ações para o desenvolvimento do próprio setor elétrico, como o plano de Atualização Tecnológica da usina, com investimentos previstos de US$ 956 milhões, e a revitalização do Sistema de Corrente Contínua associado à usina de Itaipu (HVDC), no valor de US$ 380 milhões.

“Os recursos investidos pela Itaipu para fortalecer o HVDC, por exemplo, não vão entrar na tarifa de transmissão, beneficiando diretamente o consumidor brasileiro”, sublinhou. “Desta maneira, mantemos o compromisso de contribuir com a modicidade tarifária para o consumidor brasileiro, com o desenvolvimento social e econômico do Brasil e do Paraguai, além de garantir a competitividade e a sustentabilidade financeira da Itaipu Binacional”, concluiu.

Asimp/Itaipu

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