Mais do que uma programação de concertos e espetáculos, o 46º Festival de Música de Londrina reafirma seu papel como um dos principais espaços de formação artística do país. Ao reunir professores e alunos de diversas regiões brasileiras, o evento também fortalece o trabalho desenvolvido durante todo o ano por projetos culturais financiados pelo Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic), ampliando o acesso à educação musical e promovendo inclusão cultural para crianças, adolescentes e adultos de diferentes realidades.
Entre os participantes estão jovens da Banda Marcial da Guarda Mirim de Londrina, que aproveitaram o período de férias escolares para aprofundar os estudos musicais por meio das oficinas oferecidas pelo festival.
Rafael Mariano da Silva Ramos, primeiro trompetista da banda e integrante do projeto há cerca de cinco anos, destaca que a experiência tem contribuído para o aperfeiçoamento técnico.
"Estou querendo muito tocar no festival, já aprendi um montão de coisas aqui com o professor Cícero. Estou aprendendo questões de embocadura, qualidade do som, estas coisas."
Também aluno da Guarda Mirim, Miguel Manfio Silva de Oliveira participa pela primeira vez das atividades do festival e afirma que pretende voltar nas próximas edições.
"Está sendo uma experiência única. Eu nunca tinha participado, mas sempre tive vontade."
Os dois, ao lado do colega Gabriel Pereira, integram a apresentação da turma de metais neste sábado (18), às 16h, durante os Palcos Pedagógicos, na Concha Acústica.
Formação que vai além da técnica
Responsável por incentivar a participação dos estudantes, o professor de música Edvaldo Aparecido Santin Junior afirma que a vivência proporcionada pelo festival amplia significativamente a formação dos alunos.
"A experiência tem sido muito rica, porque as aulas começam com um trabalho voltado aos fundamentos técnicos de cada instrumento e, depois, os alunos participam de práticas em conjunto. Então, eles estão convivendo e tocando com estudantes e músicos de várias partes do Brasil. Essa troca de experiências amplia a visão deles sobre a música e mostra diferentes formas de aprender e fazer arte."
Segundo ele, o aprendizado também envolve aspectos emocionais e sociais.
"Eles estão aprendendo a lidar com o nervosismo, desenvolver mais segurança nas apresentações e tocar em grupos maiores, junto com participantes de outras turmas do festival."
A Banda Marcial da Guarda Mirim integra um conjunto de ações desenvolvidas em parceria com a Secretaria Municipal de Assistência Social e, neste ano, também realiza concertos em distritos rurais de Londrina com apoio do Promic.
Promic fortalece a formação cultural durante todo o ano
Outro exemplo da continuidade proporcionada pelo incentivo municipal é a Oficina de Choro e Samba, que mantém atividades permanentes ao longo do ano e encontra no Festival de Música uma oportunidade de aperfeiçoamento com professores convidados de diferentes estados.
A percussionista Carla Santos, que participa do festival há quatro anos e das oficinas do Promic desde 2025, explica que as duas experiências são complementares.
"São práticas que se somam, porque o festival sempre traz uma técnica nova e repertório novo. O conjunto muda, o que é algo muito importante na experiência musical coletiva. Aqui tocamos com outras pessoas e também com outros instrumentos na formação."
A musicista Cecília Nakagawa também destaca a importância da continuidade dos estudos.
"Eu participo das formações de coral do festival desde 2018 e, mais recentemente, da programação de choro e samba. É maravilhoso, sempre se aprende coisas boas."
Para Helton Corso, que iniciou os estudos de pandeiro há cerca de um ano, o contato com novos ritmos amplia o repertório musical.
"Esta tem sido uma semana muito interessante. Algumas músicas eu já conhecia, outras foram novas, e vieram ritmos novos também."
As turmas se apresentam neste sábado (18), às 10h, em frente ao Teatro Ouro Verde.
Música como ferramenta de inclusão
A proposta de democratizar o acesso à formação musical também chega ao meio rural. Seis integrantes da Orquestra Popular Camponesa, desenvolvida no assentamento Eli Vive, participam da programação pedagógica do festival.
Segundo o coordenador Igor de Nadai, a participação representa muito mais do que aperfeiçoamento técnico.
"Para nós, este é um momento de intensa vivência com a música. Participar do Festival tem a ver com o aperfeiçoamento da técnica musical, com a convivência, mas sobretudo com a socialização de oportunidades."
Na semana anterior ao início do evento, a violinista venezuelana Carla Rincón, professora do festival, visitou o assentamento para conhecer o projeto e colaborar com a metodologia de ensino de cordas.
Festival segue até domingo
Realizado desde o dia 10 de julho, o 46º Festival de Música de Londrina prossegue até domingo (19), reunindo oficinas, concertos pedagógicos e apresentações artísticas.
Além da programação cultural, o evento reforça sua vocação como espaço de formação ao oferecer isenção de inscrição para professores da rede pública, estudantes de música, docentes, oficineiros e participantes de projetos sociais e culturais. A iniciativa fortalece o papel do festival na democratização do acesso ao ensino da música e evidencia a importância do Promic na manutenção de projetos que garantem oportunidades de formação artística durante todo o ano em Londrina.
Com informação doa NCPML