Após dez dias de programação, o Festival Internacional de Música de Londrina (FIML) encerrou sua 46ª edição com números que reforçam a relevância do evento no cenário cultural brasileiro. Realizado entre os dias 10 e 19 de julho, o festival reuniu cerca de 20 mil pessoas em mais de 50 apresentações realizadas em Londrina e Sertanópolis.
Além das apresentações artísticas, a edição deste ano teve como destaque a ampliação das atividades pedagógicas. O evento recebeu 725 alunos e registrou 1.011 inscrições de participantes de diferentes regiões do Brasil. Ao todo, foram oferecidos 47 cursos ministrados por 42 professores brasileiros e estrangeiros, com participação de artistas de cinco países.
A programação incluiu música de concerto, música popular, canto, composição, regência e práticas de conjunto, além de oficinas e residências artístico-pedagógicas, formato adotado pela primeira vez nesta edição para ampliar a experiência de formação dos participantes.
Festival levou música para diferentes espaços de Londrina
Com o tema de ocupar diferentes espaços da cidade, o FIML ampliou a circulação das apresentações e levou concertos para teatros, igrejas, escolas, bares e locais públicos.
O diretor artístico Eduardo Assad Sahão afirmou que a participação do público foi um dos principais resultados desta edição.
“Superamos nossas expectativas em relação ao público, com os espaços sempre cheios. Sob a égide ‘A música ocupa Londrina’, conseguimos levar apresentações para teatros, igrejas, escolas, bares e espaços públicos, criando uma programação muito diversificada e bem recebida pela população”, afirmou.
Entre os espaços que receberam apresentações estiveram o Teatro Ouro Verde, tradicional palco do festival, e o Teatro Crystal, que voltou a integrar a programação com uma série dedicada à música de câmara.
Também fizeram parte da programação o Circuito Pé Vermelho, realizado pela AML Cultural, e o Giro Londrina, que levou apresentações musicais para bares de diferentes regiões da cidade.
Segundo Sahão, momentos como as apresentações de Mônica Salmaso e André Mehmari interpretando Milton Nascimento, a participação da Orquestra Sinfônica do Paraná, o concerto em comemoração aos 50 anos do Clube do Choro e a apresentação da Banda Mantiqueira marcaram a edição.
“O maior destaque foram os espaços lotados e o carinho do público. Ver as pessoas prestigiando os concertos todos os dias foi, sem dúvida, o grande resultado desta edição”, destacou.
Formação musical ganha novas iniciativas
Uma das principais novidades do festival foi a criação das Residências Artístico-pedagógicas, que uniram aprendizado, prática musical e convivência com professores convidados.
A iniciativa contemplou áreas como Choro, Samba, Piano Brasileiro Contemporâneo e uma oficina especial em homenagem ao centenário de Moacir Santos, considerado um dos grandes nomes da música brasileira.
Para a diretora geral e pedagógica do FIML, Magali Kleber, a nova proposta fortaleceu o caráter formativo do evento.
“Os cursos ficaram repletos de alunos comprometidos e esse resultado apareceu nos Palcos Pedagógicos, na alegria dos estudantes em compartilhar o que aprenderam durante a semana”, afirmou.
Segundo ela, o trabalho desenvolvido durante a semana de atividades foi refletido na apresentação de encerramento, realizada no domingo (19), com a Orquestra Brasileira de Projetos Sociais.
A formação reuniu 102 músicos de mais de 20 projetos sociais e orquestras de diferentes regiões do país, além da participação de coralistas da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e dos pianistas Ben-Hur Cionek e Maria Teresa Madeira.
Festival recebe reconhecimento nacional
Outro destaque da edição foi o reconhecimento da Associação de Amigos do Festival de Música de Londrina como Pontão de Cultura pelo Ministério da Cultura.
A certificação integra a entidade à Política Nacional Cultura Viva e amplia as possibilidades de articulação com redes culturais, intercâmbios e desenvolvimento de novos projetos.
Para Magali Kleber, o reconhecimento reforça a trajetória construída pelo festival ao longo de quase cinco décadas.
“O festival precisa crescer, amadurecer e refletir o seu tempo, dialogando com as expectativas da população, dos estudantes, do momento artístico e da realidade do país. É essa capacidade de produzir conhecimento, pensamento crítico e transformação que mantém vivo o Festival Internacional de Música de Londrina”, afirmou.
Com os resultados da 46ª edição, o FIML mantém sua posição como um dos principais eventos de formação e difusão musical do país, reunindo artistas, estudantes e público em torno da música e da cultura em Londrina.
Com informações do FIML