O Google anunciou que passará a permitir o funcionamento de lojas de aplicativos de terceiros dentro da Google Play Store nos Estados Unidos a partir da próxima quarta-feira (22). A medida ocorre após a decisão conjunta da empresa e da Epic Games de encerrar a disputa judicial que se arrastava sobre o modelo de distribuição de softwares no sistema Android.
A mudança atende a uma determinação da justiça norte-americana, que entendeu que o Google detinha um monopólio ilegal sobre o acesso a aplicativos no sistema operacional. Com a nova regra, a companhia deverá hospedar lojas concorrentes em sua própria plataforma e compartilhar seu catálogo de aplicativos, visando estimular a concorrência e oferecer maior liberdade de escolha para desenvolvedores e usuários.
Novas diretrizes para o marketplace
Para viabilizar a integração, o Google implementou o programa Play Catalog Access. As lojas de aplicativos interessadas em utilizar o catálogo da Google Play deverão cumprir critérios de segurança, como o pagamento de uma taxa anual de US$ 5 mil e a manutenção de índices de segurança que garantam que as tentativas de instalação de malware não superem 1% do total de operações.
A empresa informou que as listagens de aplicativos de desenvolvedores norte-americanos serão disponibilizadas automaticamente para as lojas de terceiros, a menos que o criador opte por sair do programa através do Play Console. A medida, que altera significativamente a estrutura do ecossistema Android, reflete um movimento global de maior abertura nos mercados digitais.
"Esta decisão permite que nos concentremos na execução de uma evolução global do modelo de negócios para oferecer maior escolha, preços mais baixos e mais oportunidades para desenvolvedores e usuários", afirmou um porta-voz do Google.
Embora a mudança tenha impacto imediato nos Estados Unidos, o cenário para os usuários globais, incluindo brasileiros, segue um modelo distinto baseado em lojas registradas de forma independente. Especialistas em tecnologia apontam que a abertura do sistema pode favorecer o surgimento de marketplaces de nicho, focados em segmentos como jogos premium e produtividade, além de pressionar o Google a rever taxas e políticas vigentes.
A decisão coloca um ponto final em um dos litígios mais emblemáticos do setor tecnológico, que durou anos e envolveu disputas de poder entre a criadora de *Fortnite* e a gigante de buscas. O mercado agora observa se a abertura facilitará a chegada de plataformas como a loja de jogos da Microsoft, expandindo as possibilidades de uso dos dispositivos móveis.