O futebol é um esporte marcado por histórias de superação. Sejam de clubes, que foram de um rebaixamento a um título importante em questão de anos, à jogadores, que superaram uma fase ruim, uma lesão ou, até mesmo, uma condição de saúde. Dentre essas histórias, uma das mais lembradas é a de Washington, o famoso Coração Valente.
Washington Stecanela Cerqueira nasceu em 1º de abril de 1975, na capital do Brasil, Brasília. Aos 18 anos de idade, começou a sua carreira profissional no futebol. No entanto, não em seu estado de nascimento, mas sim no Caxias do Rio Grande do Sul, onde fez os seus primeiros anos enquanto jogador.
Foi no Caxias, ainda na década de 1990, que Washington começou a se destacar. Na temporada de 1995, por exemplo, o atacante fez nada mais nada menos do que 17 gols em 13 jogos. No ano seguinte, disputou somente oito partidas, mas terminou novamente com um saldo de gols superior: 10.
Os números de início de carreira fizeram com que Washington chamasse a atenção de outros clubes. Por fim, acabou sendo comprado pelo Internacional, o primeiro grande time de sua carreira - mas que acabou não dando tão certo.
De decepção à nova promessa
Washington não chegou no Internacional como uma grande estrela e nem nada do tipo. Era uma promessa que vinha de duas boas temporadas em outro clube gaúcho. Ainda muito jovem, no entanto, tinham-se às esperanças de que fosse despontar de vez vestindo a camisa do Colorado - mas não foi isso o que aconteceu.
Ele chegou em 1997 ao Internacional, por empréstimo pelo Caxias. O fato é que ele acabou não tendo muitas oportunidades: disputou somente 16 jogos com a equipe gaúcha. O seu desempenho não foi nenhuma catástrofe, marcou quatro gols nesse período. No entanto, o contrato acabou logo e o jogador saiu do Colorado com um ar de “decepção”.
Depois disso, Washington retornou a Caxias. Pela equipe que lhe revelou, voltou a fazer boas temporadas como, por exemplo, em 1998, quando marcou 16 gols em 12 jogos. Posteriormente também foi bem no Paraná, com 19 gols em 31 partidas. Por fim, acabou se firmando, e brilhando de fato, na Ponte Preta.
Em 2000, Washington foi contratado pela Ponte Preta para ser o grande reforço do ataque da Macaca. Foi muito bem nos anos em que jogou por lá, marcando 75 gols em 84 jogos, uma média simplesmente absurda. Depois disso, pode-se dizer, que ele não parou mais de fazer gols - e seguiu assim até os últimos dias de sua carreira.
A ascensão de Washington
Depois de três anos na Ponte Preta, Washington foi jogar no Fenerbahçe, da Turquia. A mudança brusca de cultura e campeonato poderia fazer com que ele perdesse um pouco de seu futebol. No entanto, esteve longe disso - continuou a marcar muitos gols, por onde passou, nas equipes seguintes.
Foram 10 gols em 17 jogos na equipe turca, 44 gols em 49 jogos pelo Atlético Paranaense em 2004, 75 gols em 76 jogos no futebol japonês e por aí vai. Em 2008, no entanto, o jogador volta a viver um dos seus auges na carreira - ainda que ela estivesse muito perto de se encerrar por definitivo.
No ano em questão, Washington é vendido para o Fluminense. Foram 51 partidas pelo Tricolor das Laranjeiras, com 33 gols anotados. Virou uma referência no ataque antes mesmo de Fred se destacar na mesma posição. No entanto, no ano seguinte, acaba indo para o São Paulo - no que seriam os últimos anos de sua carreira.
A passagem de Washington pelo São Paulo
Washington nunca ficou mais do que três anos consecutivos em um único clube de futebol - e quando chegou ao São Paulo, não foi diferente. Ele tinha 33 anos de idade quando foi comprado pelo Tricolor Paulista, depois de uma excelente temporada com o Fluminense. As expectativas eram medianas: mas os resultados foram incríveis.
Em 2009, Washington disputou 57 partidas com a camisa do São Paulo. Ao todo, foram 32 gols, uma média que pode não ser considerada muito alta para alguns, mas que ainda assim é excelente tendo em vista um jogador de mais de 30 anos de idade. O Coração Valente continuava brocando.
No ano seguinte, ele jogou apenas meia temporada com o São Paulo: foram 29 jogos e 13 gols anotados. No entanto, foi tempo suficiente para ser decisivo em clássicos e partidas importantes para o Tricolor.
Um de seus últimos gols com a camisa do clube, inclusive, foi em um clássico inesquecível contra o Corinthians, em um dos auges da rivalidade entre os dois clubes. O Timão tinha Ronaldo que, apesar de estar fora de forma, ainda era muito decisivo. Já o Tricolor tinha Washington. Final? 1 a 1, um gol para cada craque.
Um triste fim de carreira para o Coração Valente
O fato é que a carreira de Washington não acabou, foi interrompida. Apesar de ter 35 anos de idade, o jogador ainda jogava muita bola e estava sempre marcando gols, era decisivo, um centroavante nato. No entanto, teve que abandonar os gramados em função de um problema no coração.
O fato aconteceu no final de 2007, quando ele ainda jogava no futebol japonês. O jogador sentiu um incômodo, semelhante a uma azia, e foi consultar o médico. Nos exames, foi constatado que estava com 90% das veias entupidas e, por isso, teve que ir direto para a sala de cirurgia.
Não se sabia se Washington, na época com 32 anos de idade, voltaria a jogar futebol. Ele, no entanto, se recuperou e ainda fez quatro ótimas temporadas por São Paulo e, por último, Fluminense. Em 2010, encerrou a sua carreira, com um apelido nobre e carinhoso: Coração Valente.