Com a ajuda do cinema e da televisão, as artes marciais sempre tiveram o seu espaço na vida cotidiana, seja por suas próprias características ou pelo que representam no imaginário coletivo. Filmes, séries, desenhos animados, histórias em quadrinhos, não importa a mídia, a ação nunca deixou de produzir seus efeitos, promovendo o combate como uma saída heróica para as várias dificuldades da vida, tanto as sociais como as ocasionais.
Quem nunca assistiu ao clássico Rocky, um lutador (1976), estrelado por Sylvester Stallone. O filme conta a história de Rocky, um homem que encontra no boxe o caminho para a transformação da sua vida. Outros nomes ajudam a endossar a lista, Bruce Lee, Chuck Norris, Jackie Chan, todos envolvidos em produções que ajudaram a levar para o público em geral a cultura das artes marciais. E quem nunca sonhou em reproduzir os mesmos golpes precisos desses astros na vida real?
E como é natural de se acontecer, as comparações entre os estilos, fãs e apreciadores das artes marciais e do cinema surgem para alimentar ainda mais o imaginário. Quem ganharia numa suposta luta? Que herói é o mais forte? Que personagem é o mais poderoso? Para as preferências, sobram argumentos.
Já faz um certo tempo que as lutas fora das telas e dos quadrinhos vêm adquirindo glamour e caindo no gosto popular, agora como um esporte de alto rendimento. O Ultimate Fighting Championship (UFC), organização de MMA que promove eventos ao redor do mundo, está aí para provar, e hoje tem ganhado espaço até mesmo na tevê aberta.
O MMA e sua mistura de estilos e técnicas
A sigla em inglês significa Mixed Martial Arts. Em português, Artes Marciais Mistas. Acontece que, lá nos primórdios do UFC, no início dos anos 1990, as competições colocavam no ringue lutadores especializados em diferentes estilos, isso quer dizer que, literalmente, as artes marciais se enfrentavam. Na pessoa dos lutadores, o boxe enfrentava o Jiu-Jitsu, o Muay Thai encarava o Taekwondo e por aí seguia. Havia poucas regras e os combatentes no ringue lutavam mais por sua honra e pela bandeira de seu estilo do que por dinheiro.
Ao longo do tempo, os lutadores foram tomando conhecimento de que era preciso dominar mais do que a própria arte para alcançar a vitória. Se tornou necessário ter ao menos um pouco de conhecimento sobre o estilo do oponente, o que já ajudava a prever golpes e técnicas que poderiam ser combatidas. As lutas foram evoluindo e a combinação das artes marciais foram se tornando a chave para levar o cinturão para casa.
Hoje é comum que os lutadores sejam especialistas em determinado estilo e tenham o conhecimento de outros, mesmo que não dominem completamente suas técnicas. No octógono, ele tenta tirar essa diferença, levando a luta para a arte que mais domina. Porém, entre a nova geração, já se tem a cultura de não se especializar, mas receber uma formação que envolva todas as modalidades, o que torna o MMA um estilo próprio.
Atualmente, os lutadores do UFC possuem domínio em dois ou três estilos diferentes de luta. Os principais são Wrestling (luta olímpica) usada para derrubar o oponente. Jiu-Jitsu, ideal para a luta no chão. Muay Thai, para ataques mais violentos com chutes e socos. Boxe, usado na defesa e esquiva.
Com esse novo conceito, finalizações e nocautes estão cada vez mais difíceis. Do ano de 2009 para cá a maior parte das lutas passou a acabar com a decisão dos árbitros. O UFC registrou que em 2019, 52,19% das lutas terminaram assim. Dessa forma, a necessidade de pontuar tem total influência entre os lutadores que precisam ser cada vez mais assertivos em seus golpes.
Traduzindo em números, de acordo com a casa de apostas Betway, dois nomes pesados do UFC revelam como a precisão dos golpes está diretamente ligada ao sucesso dos lutadores. O brasileiro Anderson Silva tem 60% de índice de precisão nos golpes. Ele é seguido de perto pelo norte americano Jon Jones, que possui 58%. São dois nomes bastante conhecidos na mídia. Silva é faixa preta de Muay Thai, Jiu-Jitsu e Taekwondo e faixa amarela em capoeira, Jones tem formação sólida em Wrestling e é faixa roxa em Jiu-Jitsu.
Diante dessas informações, voltamos aos primeiros parágrafos e, sobretudo, à pergunta no título deste artigo. Mundo das Artes Marciais: Existe algum estilo que se sobrepõe aos demais?
Uma coisa é certa, no cinema, nos desenhos animados e nas histórias em quadrinhos sempre haverá espaço para essa discussão e, provavelmente, jamais se chegará a uma conclusão, afinal, a fantasia está no imaginário popular. Já se tratando da vida real, de números e técnicas, percebe-se que, por meio dos exemplos apontados aqui, as artes marciais se completam e não necessariamente precisam se sobressair às outras, pelo menos quando seu objetivo é unicamente esportivo.