Reconhecimento consolida relevância do trabalho gratuito e especializado dedicado às pessoas que vivem com Alzheimer em Londrina.
O Instituto Não Me Esqueças (INME), organização sem fins lucrativos com sede em Londrina, acaba de ser reconhecido como entidade de utilidade pública estadual. A proposta foi aprovada em turno único pela Assembleia Legislativa do Paraná na terça-feira (7), por iniciativa da deputada estadual Luciana Rafagnin (PT), e agora segue para sanção do governador Ratinho Junior.
Fundado em 2017 por familiares e profissionais que vivenciaram o cuidado com pessoas com Alzheimer, o INME é referência nacional no atendimento gratuito e não farmacológico às pessoas que vivem com demência e seus cuidadores. Ao longo dos últimos 12 meses, a instituição realizou 8.674 atendimentos — um crescimento de 14% em relação ao ano anterior — e hoje mantém uma média de 150 atendimentos mensais. A maioria dos beneficiários (63%) é usuária do Sistema Único de Saúde (SUS), e 45% chegam ao Instituto por recomendação médica.
“Esse título reconhece a seriedade e o impacto do trabalho que o Instituto desenvolve na vida de centenas de famílias”, afirma a deputada Luciana Rafagnin. “O INME desempenha um papel fundamental em Londrina, sendo o único instituto de atendimento especializado e gratuito para pessoas com Alzheimer, outras demências e seus familiares”, destaca a deputada Luciana.
Com a nova titulação, o INME poderá firmar convênios, acessar recursos públicos e obter isenção de tributos, o que fortalece sua sustentabilidade institucional. Entre os principais projetos da entidade estão o CAPAz – Cuidado e Apoio a Pessoas com Alzheimer, o MusicalMente – voltado à musicoterapia –, e a coletânea educativa PlenaMente, voltada à formação de cuidadores.
Além disso, o Instituto teve papel ativo na elaboração do Projeto de Lei 860/2023, que propõe a criação de uma pulseira de identificação e banco de dados para garantir mais segurança às pessoas com Alzheimer.
A presidente do INME, Elaine Mateus, destaca que o reconhecimento é também um marco na luta contra o estigma. “Receber o título de utilidade pública é dizer à sociedade que o cuidado com pessoas com Alzheimer é uma causa legítima, urgente e possível. Nosso compromisso é com a dignidade, a autonomia e os direitos humanos.”
O Instituto é membro da Federação Brasileira das Associações de Alzheimer (Febraz), da qual Elaine Mateus também é presidente, e é filiado à Alzheimer’s Disease International e à Alzheimer Iberoamérica.
Christina Mattos/Asimp