A produção de alimentos sem agrotóxicos cultivados por famílias da zona rural de Londrina tem ganhado espaço entre consumidores que buscam uma alimentação mais saudável e sustentável. À frente desse movimento está o projeto Sacolas Camponesas, desenvolvido por mulheres do Assentamento Eli Vive, em Lerroville, que conecta diretamente produtoras rurais e moradores da cidade por meio da comercialização de alimentos agroecológicos.
As entregas são realizadas todos os sábados no Espaço Araucária – Inclusão e Arte, na região central de Londrina. A iniciativa integra o Programa Municipal de Economia Solidária, coordenado pela Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS), e tem como principal objetivo fortalecer a geração de renda das agricultoras, além de ampliar o acesso da população a produtos cultivados pela agricultura familiar.
Atualmente, o grupo é formado por oito mulheres que produzem hortaliças, legumes, frutas e outros alimentos livres de agrotóxicos. O trabalho é desenvolvido de forma coletiva, desde o cultivo até a organização dos pedidos e das entregas.
Segundo a agricultora Ivonete Oliveira, uma das integrantes do projeto, a produção agroecológica exige mais dedicação em comparação ao modelo convencional, mas oferece benefícios para a saúde e para a renda das famílias.
“Como não utilizamos agrotóxicos, todo o manejo é feito manualmente. Isso exige mais trabalho, mas temos a tranquilidade de produzir alimentos saudáveis para nossas famílias e para os consumidores”, destacou.
Organização coletiva fortalece a produção
O funcionamento das Sacolas Camponesas é baseado na cooperação entre as produtoras. Os pedidos são feitos previamente pelos consumidores por meio de formulário eletrônico enviado via WhatsApp. Depois, a demanda é distribuída entre as agricultoras conforme a produção disponível.
Nos dias de entrega, as participantes se reúnem para separar os produtos e montar as sacolas individualmente antes de seguir para Londrina.
Além da produção, a logística também é um fator importante para o sucesso da iniciativa. De acordo com as agricultoras, a utilização de um caminhão para o transporte dos alimentos trouxe melhorias significativas, reduzindo perdas e garantindo que os produtos cheguem em melhores condições aos consumidores.
Relação direta entre campo e cidade
A proposta também busca aproximar produtores e consumidores, valorizando alimentos cultivados de acordo com a sazonalidade e os princípios da agricultura sustentável.
Para a consumidora Brunielly Rodrigues, a iniciativa oferece mais do que alimentos frescos. Segundo ela, a experiência contribui para uma conexão maior com a origem dos produtos consumidos diariamente.
“Consumir respeitando a sazonalidade nos reconecta com o ritmo da terra, trazendo mais saúde, sabor e a certeza de estar oferecendo o melhor para a família”, afirmou.
Projeto surgiu na UEL
As Sacolas Camponesas tiveram início em 2016 como um projeto de extensão da Universidade Estadual de Londrina (UEL). A proposta surgiu para organizar a produção das mulheres do Assentamento Eli Vive e criar canais de comercialização direta na cidade.
Inicialmente, as vendas aconteciam dentro da universidade. Em 2020, o grupo passou a integrar o Programa Municipal de Economia Solidária, ampliando sua estrutura organizacional e fortalecendo o trabalho coletivo desenvolvido pelas agricultoras.
Desde então, a iniciativa se consolidou como uma alternativa de geração de renda no campo e incentivo à produção agroecológica, contribuindo para o fortalecimento da agricultura familiar e para a oferta de alimentos saudáveis aos consumidores londrinenses.
As encomendas podem ser realizadas por meio dos canais de comunicação mantidos pelo projeto, que divulga semanalmente os produtos disponíveis para entrega.
Com informação do NCPML