Caro leitor, estamos cada vez mais imersos no mundo digital, nas realidades virtuais que nos circundam por meio de aparelhos e aplicativos. São meios para facilitar nossas rotinas que têm se tornado imprescindíveis em nossos dias. O mundo tecnológico invade casas, carros, ferramentas de trabalho, e não se pode mais viver sem estar conectado. O fato é que esse estilo de vida não é mais reversível, não se pode negá-lo ou retroagi-lo. Por isso é fundamental o equilíbrio e nos adaptarmos ao uso responsável e sadio dessas ferramentas.
Tem aqueles que pensam ser possível não permitir a invasão da tecnologia em suas vidas, porém já estamos em um caminho sem volta. Com isso, o estilo de vida humano e os relacionamentos vão se modificando. Eu como padre percebo que para muitos é mais satisfatório ter uma foto do que pedir uma oração ou conselho. Outros, por exemplo, perdem a oportunidade de relacionar-se pessoalmente para relacionar-se virtualmente, parece que as postagens e mensagens no digital se tornam mais importantes que a vivência real, e isso me preocupa.
Já percebi que quando vamos em grupo visitar lugares religiosos, por exemplo, as pessoas se preocupam mais em filmar e tirar fotos para postar ou enviar a um contato do que verdadeiramente rezar e experimentar o lugar. Veja como o modo de se comportar tem se transformado, o estilo de vida está condicionado à busca pela atenção e validação social. Outras vezes, percebo que em ambientes sociais, quando estamos desconfortáveis ou não temos mais assunto, logo pegamos no celular, ao invés de nos esforçarmos para criar laços humanos.
Outro lado preocupante tem sido a ilusão com a falsa felicidade demonstrada em fotos e vídeos no instagram, facebook ou tiktok. Influenciadores cheios de problemas reais, mas com uma vida virtual perfeita e, o pior disso tudo é que, quando os outros veem, sentem aquela tristeza ao comparar-se e descobrir que sua vida não é tão “boa assim”. “Olha onde fulano está”, “veja o que ciclano comprou”, e eu não comprei e nem viajei. Mas por detrás dessa ilusão virtual existe uma realidade que ninguém conhece e, talvez, a vida real seja a mesma que a nossa, uma vida real e comum, não “perfeita”, como parece.
É preciso, primeiramente, entender que cada um de nós percorre um caminho singular, cada um foi feito para algo particular e especial, por isso, nenhuma vida é igual. Talvez a vida “feliz” de algum(a) influenciador(a) não seja a vida que eu preciso. Cada um deve descobrir-se e deixar de lado o comparar-se. O mundo virtual é importante, porém precisamos torná-lo sadio, uma fonte de equilíbrio, descoberta, aprendizagem e não uma via de destruição. Todos nós temos capacidades e defeitos, alegrias e tristezas. E o meu desejo é que você valorize a sua história e tenha uma vida realmente feliz.
Padre Rafael Vitto é missionário da Comunidade Canção Nova
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