A combinação de juros elevados, inflação persistente e crédito mais restrito tem agravado a situação financeira de milhões de empreendedores brasileiros. Dados da Serasa Experian mostram que, na virada de 2025 para 2026, o Brasil alcançou um recorde de 8,9 milhões de empresas inadimplentes, das quais 8,5 milhões são micro e pequenas empresas (MPEs). Juntas, elas acumulam mais de R$ 210 bilhões em dívidas negativadas.
O cenário é reflexo do aumento do custo do dinheiro para empresas de menor porte. Com a taxa básica de juros em patamar elevado, o crédito ficou mais caro e as instituições financeiras passaram a adotar critérios mais rigorosos para concessão de empréstimos, dificultando o acesso a recursos para capital de giro e investimentos.
Na prática, muitos empresários enfrentam dificuldades para manter o fluxo de caixa, pagar fornecedores, renovar estoques e sustentar as operações do dia a dia. Diante desse quadro, recorrer ao crédito tornou-se uma alternativa frequente, mas nem sempre planejada.
Segundo Rita de Cassia Carolino, coordenadora da Pós-graduação em Administração Financeira da EAD UniCesumar, um dos principais desafios está na falta de planejamento financeiro.
"Muitos empreendedores analisam apenas o valor da parcela do financiamento e deixam de considerar o custo total da operação. Também é comum utilizar crédito de curto prazo para investimentos cujo retorno acontece apenas no longo prazo ou buscar empréstimos quando a empresa já enfrenta uma situação financeira crítica", explica.
Crédito pode ser solução ou ampliar o problema
Especialistas destacam que o crédito, quando utilizado para ampliar a produção, investir em equipamentos ou expandir o negócio, pode contribuir para o crescimento da empresa. Nesses casos, o retorno financeiro tende a compensar o custo da operação.
Por outro lado, quando os recursos são usados apenas para cobrir despesas recorrentes e déficits de caixa, o financiamento pode acelerar o endividamento. Se os juros pagos superarem a rentabilidade do negócio, parte significativa da receita passa a ser consumida pelo serviço da dívida, reduzindo a capacidade de investimento e comprometendo a sustentabilidade da empresa.
Educação financeira ganha importância
Além do planejamento por parte dos empresários, especialistas defendem que instituições financeiras adotem modelos de concessão de crédito mais orientados à realidade financeira de cada empresa, utilizando ferramentas que auxiliem no acompanhamento do fluxo de caixa e na prevenção do superendividamento.
Para os pequenos negócios, a recomendação é que o crédito seja utilizado como instrumento de crescimento e não como solução permanente para problemas de caixa. A educação financeira, aliada ao controle rigoroso das finanças, é apontada como um dos principais caminhos para reduzir a inadimplência e aumentar a capacidade de resistência das empresas em períodos de instabilidade econômica.
Com informação da UniCesumar