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Agroecologia como metodologia de sucessão familiar

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Por Redação
Atualizado: 24/04/2026 às 13h04

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Campo paranaense perde 5 mil famílias por ano no êxodo rural. Agroecologia é uma formade sucesso e que vem revertendo esses números no Estado

Eduardo Carriça trabalhava como designer e, em 2016, abandonou a carreira para cuidar da propriedade familiar depois de conhecer uma nova metodologia de produção de alimentos orgânicos. O sistema agroflorestal multiestrato, também chamado de agrofloresta, associa cultivos agrícolas e florestais com alta produtividade e sem uso deagrotóxicos. A técnica foi tema de seminário realizado no Recinto Horácio Sabino Coimbra, durante a 61ª Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina.

Técnicos do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) identificaram que esta metodologia vem contendo o êxodo rural, que retira anualmente 5 mil jovens das lavouras paranaenses. “A agrofloresta é uma importante ferramenta de sucessão familiar, porque tem uma rentabilidade muito interessante e isso tem motivado muita gente”, disse o coordenador estadual do Programa de Agroecologia do IDR Paraná, André Luis Alves Miguel.

Atualmente, o Paraná é o estado com maior número de produtores certificados do país, quase 4 mil produtores que adotam a agrofloresta. Eles representam 16% dos produtores certificados do País.

“Cada ano, o estado se destaca como o maior crescimento da produção orgânica do país e é responsabilidade do IDR contribuir com o produtor para que ele continue na sua propriedade gerando renda”, explicou a diretora do IDR Paraná, Vânia Cirino. “Fico muito feliz que a Sociedade Rural do Paraná tenha aberto essa possibilidade dentro da ExpoLondrina em conjunto com UEL e parceiros para que a gente possa contemplar essas experiencias, porque é possível produzir e ganhar dinheiro”, salientou o diretor-presidente do IDR Paraná, Natalino de Souza.

A produção de orgânicos está dividida da seguinte forma: o Norte Pioneiro do Paraná é um polo de hortaliças e frutas orgânicas com uso de agrofloresta; o Oeste é conhecido pelo plantão de grãos; produtores do Noroeste se especializaram no cultivo de mandioca com foco na exportação; o Centro-sul é especializado no cultivo de erva-mate e a Região Metropolitana de Curitiba é conhecido na produção de hortaliças.

Um exemplo apresentado no seminário vem do município de Wenceslau Braz, localizado a 215 quilômetros de distância de Londrina. Douglas Ribeiro e a esposa, Lucimara, cultivam mais de 20 variedades de hortaliças e frutas num sítio de 3,2 hectares, antiga propriedade da família. “O que levou a gente a esse método foi a qualidade de vida. A gente tem filhos e queria um futuro melhor para eles. Associado a isso, a produção de orgânicos trouxe mais renda, o faturamento ultrapassou 100%”, explicou Douglas Ribeiro, que chega a abastecer até os mercados de Curitiba e São Paulo

“A agroecologia é um dos caminhos possíveis para que os jovens permaneçam no campo. E a produção orgânico mostra que os jovens estão fazendo uma transição inversa, da cidade para o campo, para se dedicarem a sistemas de produção de alimentos “, definiu o coordenador estadual do Programa de Agroecologia do IDR Paraná, André Luis Alves Miguel.

Susan Naime/Asimp

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