O retorno e a possível intensificação do El Niño nos próximos meses trazem um novo alerta para o setor agrícola do Paraná. De acordo com projeções meteorológicas, o fenômeno, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, deve elevar o volume de chuvas acima da média histórica em diversas regiões do estado durante o segundo semestre.
O sistema de monitoramento climático indica que o evento, que pode atingir níveis severos, exige atenção rigorosa de produtores rurais e autoridades. Historicamente, períodos sob a influência do El Niño no Sul do Brasil são marcados por instabilidades que podem comprometer o ciclo das culturas.
Desafios para a safra
Especialistas e analistas do setor apontam que o excesso de precipitação é a maior preocupação para as lavouras. Embora a chuva seja essencial, o volume acima do esperado traz impactos práticos para quem depende do campo.
O analista do Departamento de Economia Rural (Deral), Edmar Gervásio, explica que os transtornos ocorrem em diversas fases. "Durante o desenvolvimento das plantas, favorece a ocorrência de doenças. Já na colheita, pode reduzir a qualidade dos grãos, aumentar as perdas no campo e dificultar as operações com máquinas", afirma o analista.
Além da dificuldade logística, o solo constantemente encharcado eleva o risco de doenças fúngicas nas plantas e favorece processos erosivos, o que pode comprometer a produtividade da soja, milho, trigo e outras culturas de grande importância para a economia paranaense.
Preparação e Monitoramento
Diante do cenário, a recomendação para os agricultores é manter o planejamento da safra e, sempre que possível, seguir rigorosamente as diretrizes do zoneamento agrícola para mitigar riscos climáticos. A orientação é acompanhar diariamente os boletins emitidos pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) e pela Defesa Civil.
O monitoramento é fundamental, pois, além do impacto agrícola, o excesso de chuva característico deste fenômeno no Paraná está associado a outros eventos severos, como tempestades e rajadas de vento, que podem causar danos à infraestrutura rural e ao escoamento da produção.