Agro

Exportações de café do Brasil recuam 15,7%, mas setor registra segunda maior receita da história

Menor oferta, problemas climáticos e barreiras comerciais reduziram os embarques, mas valorização internacional manteve faturamento próximo do recorde.

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Por Da Redação

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O Brasil exportou 38,46 milhões de sacas de café de 60 quilos na safra 2025/26, encerrada em junho, registrando uma queda de 15,7% em relação ao ciclo anterior. Mesmo com a redução no volume enviado ao exterior, o setor alcançou uma das melhores marcas financeiras da história, com receita cambial de US$ 14,59 bilhões.

O resultado foi o segundo maior faturamento já registrado pelo país nas exportações de café, ficando atrás apenas da temporada 2024/25. O desempenho foi impulsionado principalmente pelos preços internacionais elevados, que atingiram patamares históricos entre setembro de 2025 e janeiro de 2026.

De acordo com o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), a redução dos embarques era esperada diante da menor disponibilidade do produto no mercado interno.

O presidente da entidade, Márcio Ferreira, explicou que a queda ocorreu após um período de exportações recordes e diante dos impactos provocados pelo clima.

“Após exportações recordes em 2024, os estoques brasileiros reduziram significativamente. Aliado a isso, a safra 2025 foi afetada por adversidades climáticas, o que diminuiu a oferta de café”, afirmou.

Clima, logística e comércio internacional afetaram resultado

Além da menor produção disponível, o setor enfrentou dificuldades logísticas nos portos brasileiros, com atrasos nos embarques e aumento dos custos para exportadores.

Segundo o Cecafé, problemas de infraestrutura provocaram congestionamentos nos terminais portuários e impediram o envio de centenas de milhares de sacas dentro dos prazos previstos.

Outro impacto veio do mercado norte-americano. A aplicação de tarifas de 50% sobre cafés brasileiros pelos Estados Unidos durante parte do período provocou forte retração das vendas para aquele país.

Entre agosto e novembro de 2025, as exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram 54,9%, passando de 2,91 milhões para 1,31 milhão de sacas no período.

Com a redução das compras norte-americanas, a Alemanha passou a liderar o ranking dos principais destinos do café brasileiro.

Alemanha assume liderança entre compradores

Na safra 2025/26, a Alemanha importou 5,18 milhões de sacas de café brasileiro, representando 13,5% de todos os embarques realizados pelo país.

Os Estados Unidos ficaram na segunda posição, com 4,24 milhões de sacas e queda de 43,2% em comparação ao ciclo anterior.

O ranking dos cinco maiores compradores também teve Itália, com 3,26 milhões de sacas; Bélgica, com 2,33 milhões; e Japão, com 2,30 milhões.

Café brasileiro teve maior preço médio da história

Apesar da queda no volume exportado, o valor recebido pelo produto brasileiro aumentou. O preço médio das exportações chegou a US$ 379,48 por saca, o maior registrado na série histórica e 17,4% acima do período anterior.

Para o setor, a valorização está relacionada ao equilíbrio entre oferta e demanda mundial, além dos investimentos dos produtores brasileiros em tecnologia, qualidade e sustentabilidade.

Os cafés diferenciados, que incluem produtos especiais e certificados, responderam por 19,2% das exportações brasileiras, com 7,38 milhões de sacas comercializadas.

Esse segmento gerou receita de US$ 3,16 bilhões, com preço médio de US$ 427,70 por saca.

Arábica continua como principal café exportado

O café arábica manteve a liderança entre os produtos brasileiros enviados ao exterior. Foram 29,49 milhões de sacas exportadas, representando 76,7% do total.

O café canéfora, que reúne variedades como conilon e robusta, somou 5,03 milhões de sacas, enquanto o café solúvel respondeu por 3,87 milhões.

Segundo o Cecafé, o comportamento das exportações no novo ano-safra dependerá da evolução da colheita, da qualidade dos grãos e das condições climáticas nos principais polos produtores.

Paranaguá participa dos embarques brasileiros

O Porto de Santos foi responsável pela maior parte das exportações brasileiras de café, com 28,85 milhões de sacas embarcadas, equivalente a 75% do total.

O complexo portuário do Rio de Janeiro apareceu na sequência, com 8,24 milhões de sacas.

O Porto de Paranaguá, no Paraná, participou dos embarques internacionais com 377,9 mil sacas, representando aproximadamente 1% das exportações brasileiras.

Para o setor cafeeiro, o cenário para os próximos meses será marcado pela atenção à nova safra, principalmente em relação ao volume produzido e à qualidade dos grãos disponíveis para exportação.

Com informação do CECAFÉ

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