O governo federal intensificou os preparativos para enfrentar os possíveis impactos do fenômeno El Niño, cuja formação é considerada provável ao longo do segundo semestre de 2026. A preocupação das autoridades está relacionada aos efeitos que o evento climático pode provocar em diferentes regiões do país, incluindo chuvas acima da média, estiagens prolongadas, ondas de calor e aumento do risco de incêndios florestais.
Em reunião coordenada pela Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec), vinculada ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), representantes de órgãos federais e instituições de monitoramento climático avaliaram os cenários previstos para os próximos meses e discutiram estratégias de prevenção e resposta.
Segundo os estudos apresentados durante o encontro, os impactos devem variar conforme a região do país. Para o trimestre entre junho e agosto, a tendência é de volumes de chuva acima da média em áreas do Centro-Sul brasileiro, especialmente no Rio Grande do Sul. Já as regiões Norte e Nordeste podem enfrentar períodos de seca mais severa, com risco elevado de queimadas e temperaturas acima do normal a partir do final do inverno.
Intensidade ainda está em análise
Embora especialistas considerem praticamente certa a ocorrência do El Niño, ainda não há consenso sobre a intensidade do fenômeno.
De acordo com técnicos do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), os sinais observados no Oceano Pacífico indicam a formação do evento climático, mas os modelos ainda não permitem determinar com precisão seus efeitos.
Pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) também apontam o aquecimento gradual das águas do Pacífico, característica associada ao desenvolvimento do El Niño. As projeções indicam que os efeitos poderão ganhar força durante a primavera e permanecer até os primeiros meses de 2027.
Monitoramento permanente
A Defesa Civil Nacional informou que acompanha diariamente a evolução das condições climáticas para antecipar possíveis impactos e orientar estados e municípios.
O objetivo é garantir maior capacidade de resposta diante de situações como enchentes, estiagens, incêndios florestais e outros eventos extremos que possam afetar a população.
Segundo a Sedec, o acompanhamento contínuo dos relatórios meteorológicos e das notas técnicas emitidas pelos institutos de pesquisa é fundamental para a definição das estratégias de prevenção e mitigação.
Mobilização de vários órgãos federais
O planejamento para enfrentar os efeitos do El Niño envolve uma atuação conjunta de diversos ministérios e instituições federais. Participam da articulação órgãos das áreas de assistência social, saúde, direitos humanos e monitoramento climático.
A estratégia busca assegurar atendimento às populações mais vulneráveis e reduzir os impactos sociais e econômicos provocados pelos eventos climáticos extremos.
Uma nota técnica divulgada nesta semana pelo INPE, Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) e Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) aponta cerca de 60% de probabilidade de formação do El Niño ao longo do segundo semestre de 2026.
Diante desse cenário, o governo federal afirma que continuará monitorando a evolução do fenômeno e reforçando as medidas de preparação para minimizar os impactos sobre a população, a infraestrutura e as atividades econômicas do país.