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Relatório da Abin diz que 16 caminhões usados em bloqueios de estradas em janeiro eram do produtor rural de Mato Grosso 

O empresário mato-grossense Argino Bedin, sócio de fazendas de soja acusado de financiar atos antidemocráticos, permaneceu calado durante a maior parte do depoimento, ontem (3), à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investiga os ataques às sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro.

Bedin havia entrado com habeas corpus no Supremo Tribunal Federal para não comparecer à CPMI, mas o ministro Dias Toffoli só permitiu que ele não respondesse a perguntas que o incriminassem.

Bloqueios das estradas

O empresário respondeu pontualmente a alguns parlamentares. À deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), por exemplo, confirmou seu grau de parentesco com algumas pessoas que tinham caminhões em bloqueios de rodovias logo após o resultado das eleições de 2022. Ao deputado Delegado Ramagem (PL-RJ), respondeu que emprega 100 pessoas em seus negócios. À senadora Soraia Thronicke (Podemos-MS), se disse inocente e negou estar sendo intimidado.

O produtor de soja, de 73 anos, dispensou o tempo inicial de 15 minutos para se defender e não respondeu a relatora, senadora Eliziane Gama (PSD-MA), sobre quantos caminhões de propriedade de sua família bloquearam rodovias e vieram a Brasília para os protestos. Diante das negativas, ela citou relatório da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) que mostra que 272 caminhões participaram do movimento. Destes, 72 eram da cidade de Sorriso, em Mato Grosso, onde vive Argino Bedin, e 16 caminhões pertenciam a ele ou a familiares. A senadora Eliziane Gama exibiu um vídeo mostrando que os bloqueios feitos por caminhões impediram a passagem de uma criança que precisava de uma cirurgia de emergência no olho. Outro vídeo revelou manifestantes armados.

Autor de um dos requerimentos para a convocação de Bedin, o deputado Carlos Veras (PT-PE) afirmou que o empresário só estava na reunião porque a democracia tinha vencido.

O parlamentar pediu uma avaliação sobre os atos de 8 de janeiro, mas não teve resposta e apontou que Argino Bedin financiou campanhas e recebeu recursos públicos para suas empresas.

“Com seus lucros, você poderia gerar mais empregos, investir no desenvolvimento econômico do País e da sociedade; [mas] o senhor foi colocar esses lucros, esse patrimônio, fruto, inclusive, de recursos públicos, pra financiar o atentado contra a democracia”.

Oposição

Deputados de oposição elogiaram a trajetória empresarial do agricultor, que chorou durante a intervenção do deputado Filipe Barros (PL-PR). O parlamentar afirmou que Bedin não pode ser responsabilizado pelos atos de 8 de janeiro.“É preciso que a gente coloque as coisas às claras aqui. Não é possível que a gente continue colocando no banco dos réus dessa CPMI um empresário de sucesso, bem sucedido, orgulho para o nosso País como o senhor Argino Bedin e tratá-lo como se fosse terrorista”, afirmou.

Convocação

Integrantes da CPMI rejeitaram, por 14 votos a 10, a convocação de comandantes da Força Nacional. Em várias ocasiões, deputados e senadores de oposição têm criticado a atuação da corporação durante os ataques que resultaram em depredação aos prédios públicos. Em entrevista coletiva antes da reunião, o presidente da comissão, deputado Arthur Oliveira Maia (União-BA), declarou que achava importante que o comando da Força Nacional desse seu depoimento.

Arthur Maia também apresentou uma sugestão de acordo de procedimentos para a votação do relatório final da CPMI. O acordo prevê o compromisso de que não haja requerimentos para o encerramento da discussão. A leitura do relatório está prevista para o próximo dia 17. O presidente anunciou que a oposição apresentará um voto em separado.

O último depoimento da CPMI deve ser o da próxima quinta-feira. Será ouvido o subtenente Beroaldo Freitas Júnior, do Batalhão de Choque da Polícia Militar do DF, que atuou na contenção dos manifestantes em 8 de janeiro. Não haverá reuniões na semana que vem.

Durante a reunião desta terça, deputados aliados ao governo e de oposição comentaram a decisão do ministro Nunes Marques, do STF, que suspendeu a quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático do ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal, Silvinei Vasques, que havia sido determinada pela comissão.

Cláudio Ferreira/Agência Câmara de Notícias

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