A partir de 1972, os EUA cometeram um erro histórico ao preterirem o apoio ao Brasil e à América Latina. Em vez de fortalecer economicamente seus vizinhos democráticos no hemisfério, optaram por alimentar e fortalecer a China comunista, então sob um regime fechado, autoritário e altamente disciplinado.
Forneceram à China capital, tecnologia, acesso a mercados e legitimidade internacional, permitindo que o país se tornasse uma potência econômica global — sem exigir contrapartidas democráticas ou respeito aos direitos humanos.
Sob a liderança de Deng Xiaoping, a China adotou práticas capitalistas com eficiência, mas manteve firme o controle do Estado sobre a sociedade e a economia. O resultado foi um crescimento econômico sem precedentes na história moderna.
Quem abriu as portas foi o presidente Richard Nixon, em parceria com Henry Kissinger e George Bush pai. Eles arquitetaram a aproximação com a China, numa jogada geopolítica que visava isolar a União Soviética, mas que acabou gerando um efeito colateral gigantesco: ignorar completamente a oportunidade de transformar o Brasil e a América Latina em aliados prósperos e desenvolvidos.
Em vez de consolidar um eixo democrático e próspero nas Américas, os EUA alimentaram o nascimento de um rival sistêmico — um Dragão insaciável que desafia sua liderança global.
O Elefante pariu um Dragão. E agora o mundo inteiro paga o preço.
(Deputado Federal Luiz Carlos Hauly)