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João Pedro Stedile explicou aos integrantes da CPI as medidas adotadas para coibir irregularidades

Em reunião para ouvir o líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stedile, o relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o movimento, deputado Ricardo Salles (PL-SP), acusou o MST de uma série de irregularidades.

De acordo com Salles, testemunhos e documentos apresentados à CPI mostram abusos contra assentados e privilégios de dirigentes. Além disso, o relator acusou o MST de se apropriar de recursos públicos. "As narrativas trazidas aqui indicaram nominalmente, factualmente, desvios de conduta não desprezíveis", ressaltou.

Ricardo Salles citou três casos de violência que teriam sido relatados por ex-integrantes do MST à CPI. Segundo afirmou, houve um episódio em Goiás em que um integrante do MST teve o dedo amputado ao ser expulso de um assentamento. Na Bahia, um militante teria sido retirado a chutes de dentro de sua área. Além disso, teria ocorrido mais uma situação semelhante no Distrito Federal, de integrante expulso do assentamento com violência.

João Pedro Stedile argumentou que o MST adota uma série de medidas para coibir irregularidades. A principal delas seria a liderança colegiada, para evitar atitudes abusivas de dirigentes. Ainda assim, afirmou que, como em qualquer movimento, pode haver pessoas que ingressam nos acampamentos para “tirar vantagem”.

Ricardo Salles: desvios de conduta não são desprezíveis - Foto: Myke Sena / Câmara dos Deputados

Quando ocorrem crimes, no entanto, Stedile sustentou que os casos devem ser levados à Justiça. “Em casos de desvios, ou de comportamento de dirigentes ou de recursos, aí é Código Penal, aí nós não temos problema nenhum, é nosso dever, inclusive, fazer com que se corrijam esses desvios porque os mais prejudicados somos nós, o MST. O MST que organizar o povo para lutar pela terra, para acabar com o latifúndio, para acabar com pobreza, esse é o nosso objetivo.”

João Pedro Stedile ressaltou ainda que o MST tem hoje 5 mil assentamentos com 500 mil famílias. Com isso, defende que “nem Jesus Cristo” teria como saber o que acontece em todos eles.

Criminalização

Ricardo Salles, afirmou ainda que relatório da Controladoria-Geral da União mostrou que associações e cooperativas do MST receberam cerca de R$ 2 bilhões de reais do poder público de forma irregular. Para isso, teriam utilizado CPF de associados e cooperados. Ainda segundo o relator da CPI, a controladoria identificou a destinação R$ 2,8 bilhões para pessoas do movimento que não teriam direito de receber os recursos.

Já a deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR) sustentou que essas acusações nunca foram comprovadas. De acordo com a parlamentar, o objetivo do relator sempre foi criminalizar o movimento dos sem terra. “Eles vão tentar criminalizar, mas eles não vão encontrar uma prova sequer.”

Ricardo Salles assegurou que em seu relatório vai apontar os autores dos desvios. Também garantiu que os ex-integrantes do MST fizeram denúncias contundentes à CPI, “com nomes, datas e fatos”.

Maria Neves/Agência Câmara de Notícias

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