Uma simples pinta que muda de tamanho, uma mancha que escurece ou uma ferida que não cicatriza podem esconder um problema grave de saúde. Esses sinais podem indicar a presença do melanoma, considerado o tipo mais agressivo de câncer de pele. Durante a campanha Junho Preto, profissionais da área reforçam que o diagnóstico precoce continua sendo a principal arma para aumentar as chances de cura e reduzir a mortalidade causada pela doença.
Embora represente uma parcela menor dos casos de câncer de pele, o melanoma é responsável pela maioria das mortes associadas à enfermidade. Isso ocorre porque o tumor apresenta maior potencial de disseminação para outros órgãos quando não é identificado e tratado nas fases iniciais.
No Paraná, a rede pública de saúde realizou 2.498 procedimentos relacionados ao melanoma maligno da pele entre 2024 e abril de 2026, segundo dados do Sistema de Informações Hospitalares. Foram registrados 1.058 procedimentos em 2024, 1.045 em 2025 e outros 395 nos primeiros quatro meses deste ano.
Entre os atendimentos mais frequentes estão as cirurgias para retirada de lesões e procedimentos de reconstrução da pele após o tratamento. Também foram contabilizados tratamentos clínicos oncológicos, remoções de lesões cutâneas e atendimentos para complicações relacionadas à doença.
Diagnóstico precoce faz a diferença
Especialistas destacam que identificar o melanoma ainda nos estágios iniciais pode tornar o tratamento mais simples e aumentar significativamente as possibilidades de cura.
A dermatologista Priscila de Cássia Francisco, do Hospital de Dermatologia Sanitária do Paraná, explica que pacientes que já tiveram melanoma precisam manter acompanhamento especializado ao longo da vida.
Segundo ela, o histórico da doença aumenta o risco de surgimento de novos melanomas, tornando essencial o monitoramento contínuo da pele para detectar alterações precocemente.
Além do histórico pessoal, fatores como predisposição genética, casos da doença na família e exposição excessiva ao sol ao longo da vida estão entre os principais fatores de risco para o desenvolvimento do câncer.
Rede pública oferece acompanhamento especializado
O atendimento aos pacientes começa, geralmente, na Atenção Primária à Saúde. Quando uma lesão suspeita é identificada, a pessoa é encaminhada para avaliação especializada, onde podem ser solicitados exames complementares e biópsias para confirmação do diagnóstico.
Nos casos em que o melanoma está restrito à pele, o tratamento costuma ser realizado por equipes especializadas em dermatologia. Já quando há suspeita de disseminação da doença, o acompanhamento passa a envolver cirurgiões oncológicos e outros profissionais especializados.
Para monitorar pacientes com maior risco, a rede utiliza exames como a dermatoscopia, que amplia a visualização das lesões, além do mapeamento corporal digital, tecnologia que permite comparar imagens da pele ao longo do tempo e identificar mudanças suspeitas.
Cuidados devem continuar no inverno
Apesar da redução das temperaturas, especialistas alertam que os cuidados com a pele não devem ser abandonados durante o inverno. A radiação ultravioleta continua atingindo a pele mesmo em dias nublados ou frios, podendo causar danos cumulativos.
Por isso, o uso diário de protetor solar, a proteção adequada durante atividades ao ar livre e a observação constante de pintas, manchas e lesões continuam sendo medidas fundamentais para prevenir o melanoma.
A recomendação é procurar atendimento médico sempre que houver alterações na cor, formato ou tamanho de manchas e pintas, além de lesões que sangram, coçam ou não cicatrizam. A detecção precoce segue sendo a estratégia mais eficaz para garantir tratamentos menos agressivos e maiores chances de cura.
Com informação da AEN