Economia

Disputa sobre IOF expõe risco da instabilidade tributária para empresas no Brasil

R
Por Redação
Atualizado: 24/04/2026 às 12h36

Publicidade

Movimento do governo de judicializar decreto derrubado pelo Congresso acende alerta sobre imprevisibilidade fiscal e afasta investimentos, aponta especialista

A recente decisão do governo federal de recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para restabelecer o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que já havia sido derrubado pelo Congresso Nacional, lança um forte alerta para o ambiente de negócios no país. O episódio evidencia um dos maiores entraves ao crescimento econômico brasileiro: a insegurança jurídica e a imprevisibilidade em matéria tributária.

O "vai e vem" regulatório, onde uma decisão do Executivo é revertida pelo Legislativo e depois levada ao Judiciário, cria um cenário de incertezas que afeta diretamente o planejamento financeiro e estratégico de empresas de todos os portes. A dificuldade de prever os custos tributários de curto e médio prazo inibe investimentos, prejudica a formação de preços e aumenta o risco operacional.

Para especialistas, as constantes modificações legislativas mina a confiança dos agentes econômicos e reforça a percepção de que as regras podem mudar a qualquer momento, independentemente das instâncias políticas estabelecidas.

"O que vemos nesse caso do IOF é um sintoma claro da fragilidade do nosso sistema. Uma empresa precisa de previsibilidade para planejar seus investimentos, contratar e crescer. A instabilidade tem um custo altíssimo para o país, que se reflete em menor crescimento e geração de empregos", afirma o advogado Diogo Montalvão.

O debate ocorre em um momento crucial, em que o Brasil discute uma ampla Reforma Tributária com a promessa de simplificar o sistema e trazer mais segurança jurídica. Contudo, episódios como a disputa em torno do IOF demonstram que, além de mudar as leis, é preciso consolidar uma cultura de estabilidade e respeito às decisões institucionais - sejam do Executivo, do Legislativo ou Judiciário.

"A judicialização de questões tributárias que já foram pacificadas no âmbito político é temerária, apesar de eventualmente necessaria. Quando utilizada em excesso,  ela pode criar passivo de risco para as empresas que operam sob a regra vigente, assim como afastar o investidor estrangeiro, que busca ambientes com regras claras e estáveis. Nenhum planejamento de longo prazo sobrevive a grandes níveis de instabilidade", analisa o jurista.

Com a decisão proferida na última quarta-feira (16/7) pelo ministro Alexandre de Moraes, que validou o decreto do Executivo e restabeleceu o aumento do IOF, o episódio se consolida como um exemplo prático dos riscos fiscais que as empresas enfrentam diariamente no Brasil. Ainda que a decisão possa encerrar a disputa jurídica sobre o tema, ela também reforça o alerta quanto à imprevisibilidade do ambiente tributário nacional, onde mudanças relevantes podem ocorrer de forma abrupta e com efeitos imediatos sobre a atividade econômica.

Naves Coelho/Asimp

Receba notícias no celular Entre no nosso grupo do WhatsApp e fique por dentro de tudo
Entrar no grupo

Recomendados para você
Mais lidas da semana

Publicidade