Economia

Tarifaço dos EUA entra em vigor e Senado defende medidas para proteger exportações brasileiras

Sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros pode afetar até R$ 37,6 bilhões em vendas externas; governo anuncia pacote de apoio a empresas.

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Por Da Redação
Tarifaço dos EUA entra em vigor e Senado defende medidas para proteger exportações brasileiras
Nelsinho Trad sugeriu que governo faça estudos e busque mercados alternativos para os produtos brasileiros - Foto: Jane de Araújo/Agência Senado

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A entrada em vigor da tarifa de 25% aplicada pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros exportados ao país passou a preocupar setores da economia nacional e mobilizou o acompanhamento do Senado Federal. O presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE), senador Nelsinho Trad (PSD-MS), afirmou que a prioridade neste momento deve ser avaliar os impactos da medida e buscar alternativas para proteger os interesses do Brasil.

Segundo informações da Agência Senado, a nova tarifa norte-americana começou a valer na quarta-feira (22) e atinge cerca de três mil produtos brasileiros. A cobrança será aplicada aos importadores dos Estados Unidos no momento em que as mercadorias entrarem no território americano.

Para Nelsinho Trad, a resposta brasileira precisa ser baseada em análises técnicas e articulação entre os órgãos envolvidos.

“Mais do que reagir ao fato, precisamos compreender seus impactos e acompanhar, com responsabilidade, as alternativas que estão sendo construídas para proteger os interesses do Brasil. A Comissão de Relações Exteriores tem o dever de contribuir para esse processo”, afirmou o senador.

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) indicam que o tarifaço poderá atingir aproximadamente 18% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos. Considerando os valores de 2024, o impacto estimado chega a R$ 37,6 bilhões. Já com base nos números de 2025, os setores afetados representam cerca de 15% das vendas brasileiras ao mercado norte-americano, equivalente a R$ 29,4 bilhões.

Senado acompanha impactos econômicos

O presidente da CRE avalia que a medida amplia os desafios para segmentos importantes da economia brasileira e defende a continuidade do diálogo diplomático entre Brasil e Estados Unidos.

Trad também solicitou informações ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços sobre a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica, os estudos realizados pela Câmara de Comércio Exterior (Camex) e a necessidade de eventuais mudanças na legislação.

A intenção, segundo o senador, é reunir dados técnicos para orientar possíveis iniciativas do Congresso Nacional diante do novo cenário comercial.

Um grupo de trabalho criado pela presidência da CRE deverá discutir, no dia 4 de agosto, medidas relacionadas ao acesso dos produtos brasileiros a mercados internacionais. A reunião contará com representantes do governo e do setor privado, com atenção especial ao setor de proteínas animais.

Governo anuncia pacote de apoio

No mesmo dia em que a tarifa entrou em vigor, o governo federal anunciou novas medidas para auxiliar empresas brasileiras afetadas pelo cenário internacional.

A Medida Provisória 1.379/2026 criou o chamado Plano Brasil Soberano 3, que prevê R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito com juros subsidiados para exportadores e setores considerados estratégicos para a economia.

Também foi sancionado o Projeto de Lei de Conversão (PLV 7/2026), que ampliou o alcance das medidas de financiamento do Plano Brasil Soberano, incluindo setores estratégicos ligados ao comércio exterior brasileiro.

Busca por novos mercados

Na avaliação de Nelsinho Trad, o Brasil precisa ampliar sua capacidade de acessar novos mercados para reduzir os impactos de momentos de instabilidade no comércio internacional.

O senador destacou projetos de infraestrutura e logística, como a Rota Bioceânica, a ponte internacional entre Porto Murtinho (MS) e Carmelo Peralta (Paraguai) e a adoção da Convenção Aduaneira sobre o Transporte Internacional de Mercadorias ao Abrigo das Cadernetas TIR como iniciativas que podem reduzir custos e facilitar o transporte de produtos brasileiros.

“Quanto mais alternativas o Brasil tiver para alcançar novos mercados, mais preparado estará para enfrentar períodos de tensão no comércio global”, afirmou Trad.

Com informações da Agência Senado.

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