A reforma tributária poderá aumentar significativamente os custos da logística do agronegócio brasileiro, um dos principais pilares da economia nacional. Um estudo divulgado pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) estima que as transportadoras que atuam no segmento poderão registrar um aumento de até 414% na carga tributária, com impacto financeiro superior a R$ 144 milhões.
O levantamento foi elaborado com base em operações realizadas ao longo de 2025 por empresas associadas à Associação Nacional das Empresas Agenciadoras de Transporte de Cargas (ANATC). A análise indica que o novo modelo tributário tende a afetar com maior intensidade o transporte de cargas do agronegócio, segmento que atualmente opera sob regimes tributários específicos.
O aumento dos custos logísticos preocupa especialmente estados como o Paraná, referência nacional na produção e exportação de grãos, carnes e outros produtos agroindustriais. Como o transporte rodoviário responde pela maior parte do escoamento da produção, qualquer elevação nas despesas tende a repercutir em toda a cadeia produtiva, reduzindo a competitividade e pressionando os custos de produtores, cooperativas, indústrias e consumidores.
Segundo o estudo, parte do aumento da carga tributária poderá ser absorvida pelos custos do frete, impactando operações de transporte de grãos, proteínas, insumos agrícolas e produtos industrializados ligados ao agronegócio.
Além dos efeitos diretos sobre os custos operacionais, a transição para o novo sistema tributário deverá exigir investimentos em tecnologia, atualização de sistemas fiscais, revisão de processos internos e capacitação das equipes responsáveis pelas áreas tributária e financeira.
Para o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística do Oeste do Paraná (SINTROPAR), Edson Roberto Pilati, a implementação da reforma precisa ocorrer de forma planejada para reduzir os impactos sobre as empresas.
"A reforma tributária representa uma transformação importante no ambiente de negócios brasileiro e exige atenção de todos os segmentos. Para o transporte, é fundamental que esse processo ocorra com previsibilidade, permitindo que as empresas se adaptem às novas regras sem comprometer suas operações e seu planejamento financeiro."
Pilati afirma que as transportadoras terão de revisar contratos, reavaliar a formação dos preços e compreender os efeitos das novas regras tributárias sobre seus negócios.
"Toda mudança tributária exige um período de adaptação. As empresas precisarão compreender como as novas regras afetarão seus custos, sua formação de preços e seus contratos. Quanto maior for a clareza durante a implementação, mais eficiente será essa transição para o setor."
O dirigente também defende que o período de implantação da reforma seja acompanhado por diálogo entre governo, setor produtivo e entidades representativas para preservar a eficiência logística e a competitividade do transporte rodoviário de cargas.
"O transporte rodoviário de cargas conecta a produção ao mercado e desempenha um papel essencial na economia paranaense. Por isso, é importante que a implementação da reforma seja acompanhada por um diálogo permanente entre os diversos setores, buscando soluções que preservem a competitividade das empresas e a eficiência logística."
Na avaliação do setor, o sucesso da transição dependerá da previsibilidade das regras e da segurança jurídica oferecida às empresas. Embora o objetivo da reforma seja simplificar o sistema tributário brasileiro, o estudo alerta que seus efeitos sobre a logística do agronegócio poderão representar um dos principais desafios para a competitividade da cadeia produtiva nos próximos anos.
Com informações do SINTROPAR